Com a falta de ônibus, quem precisou dos serviços dos táxis também enfrentou uma situação caótica com a explosão da demanda durante todo o dia. "Os carros estão todos circulando, e os taxistas fazendo o que podem, mas está difícil atender todo mundo", disse o presidente do Sindicato dos Taxistas, Aparecido Fagundes da Silva. Os telefones das operadoras de radiotáxi ficaram congestionadas desde muito cedo, e conseguir um carro virou até motivo de briga entre usuários. "As linhas começaram a tocar às 5h15 e não pararam mais. O dia foi muito tumultuado, pedíamos a compreensão das pessoas, pois não havia veículos disponíveis", diz a proprietária da Tele Táxi, Cleide Campos.
Para chegar ao trabalho, muitos se uniram para pagar a corrida. "Estamos juntando pessoas, para conseguir dinheiro para pagar um táxi e ir trabalhar. Cadê os 30% de ônibus que a lei manda? Isso é um absurdo", desabafa a auxiliar de cozinha Rosimeire Aparecida de Carvalho.
Após a autorização da Settra da utilização da pista central da Avenida Rio Branco pelos táxis, por volta do meio-dia, os pontos de ônibus viraram paradas para os taxistas. A medida, segundo Fagundes, amenizou um pouco a situação. "Estava difícil atender os moradores dos bairros próximos ao Centro, e chegar aos locais mais afastados foi quase impossível", diz ele. Na Albatroz, a maior dificuldade foi atender os moradores de bairros afastados. "Seguramos o cliente na linha até ter a certeza que haverá um carro. Quando não conseguimos, passamos o telefone de outra empresa", disse a proprietária, Renata dos Reis.
No início da noite desta terça-feira (5), dezenas de pessoas tiveram que aguardar até três horas para encontrar um táxi. A aposentada Lúcia Guedes, 72 anos, chegou a pensar em desistir. Após uma sessão de fisioterapia, ela ficou das 15h às 17h30 no ponto de táxi do Parque Halfeld. "É um total descaso com a população. Sofro de problemas de coluna e estou há horas debaixo de chuva esperando por um carro. Dá vontade de desistir, mas não tenho como ir embora", desabafa.
Moradora do Bairro Santa Lúcia, na Zona Norte, a cuidadora de idosos Lindaura Lopes, 61 anos, diz que gastou R$ 40 para chegar ao trabalho, no Centro. "Não posso faltar ao serviço. No meu caso, tenho uma pessoa que depende dos meus cuidados, então, preferi pagar caro." Na hora de voltar para casa, ela diz que não encontrou veículos disponíveis.
Ao contrário do que era esperado, o trânsito sofreu pequenas retenções no período entre 17h e 18h 30. Em alguns trechos das principais vias, como no cruzamento entre as avenidas Presidente Itamar Franco e Rio Branco, policiais militares fizeram o controle do tráfego.



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