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15 de Junho de 2014 - 06:00

PIB da cidade apresentou menor evolução entre os cinco maiores municípios da Zona da Mata

Por FABÍOLA COSTA

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Apesar de ser o maior e mais influente polo da Zona da Mata, Juiz de Fora foi a cidade cuja produção de riqueza apresentou menor crescimento em 12 anos e maior queda na participação regional, na comparação com o desempenho dos outros quatro maiores municípios da Mata. A análise tem por base o Produto Interno Bruto (PIB) de 2011 ante o de 1999 - o dado mais recente e o início da série histórica da Fundação João Pinheiro (FJP). Maior arrecadadora de impostos, a cidade é também a que apresentou o pior resultado no saldo de empregos formais este ano, na comparação com Manhuaçu, Ubá, Muriaé e Cataguases (ver quadro) em números absolutos. Em termos relativos - considerando o volume total de vagas oferecidas em cada município -, Juiz de Fora tem o terceiro pior desempenho. Junto, o grupo responde por 50% do PIB da região e 3,7% do estado.

Embora tenha mais que triplicado o PIB no intervalo avaliado, de R$ 2,9 bilhões em 1999 para R$ 9,35 bilhões em 2011, em valores nominais, a alta de 219,8% foi a menor entre os outros quatro municípios avaliados. Nesse período, a participação do município caiu de 36,9% para 32,4% do PIB regional. A vizinha Ubá apresentou o maior crescimento no PIB (330,7%) e aumentou de 4,3% para 5,1% sua participação na Zona da Mata. Em Manhuaçu, o avanço foi de 307% no PIB, elevando a representatividade de 4,6% para 5,1%. Muriaé consegui maior participação (de 3,9% para 4,1%), mas Cataguases apresentou ligeira queda, de 3,5% para 3,4% no período avaliado. Ainda assim, Juiz de Fora permanece muito à frente na produção de riqueza na região, com R$ 9,3 milhões em 2011, respondendo por 32,4% do PIB da Zona da Mata e 2,4% do estado.

Diante dos valores nominais (a preços correntes) divulgados pela FJP, o diretor da Faculdade de Economia da UFJF, Lourival Batista de Oliveira Júnior, destaca a importância de considerar a inflação acumulada no período para identificar se houve crescimento real do PIB nas cidades mencionadas. Conforme o IBGE, o acumulado do IPCA entre janeiro de 1999 e dezembro de 2011 foi de 114,3%, índice inferior ao verificado em todos os municípios avaliados no período. Para Lourival, o fato de outras cidades se destacarem na Zona da Mata, criando dinâmicas próprias, como Ubá, é positivo e importante para toda a região, sem interferir na condição de Juiz de Fora como polo. O crescimento nominal do PIB ubaense (330,7%) foi bem maior do que o juiz-forano (219,8%). "É preciso tomar um certo cuidado quando se faz comparações como a economia de Juiz de Fora, que é maior. Obviamente, a taxa de crescimento tende a ser menor comparativamente com economias menores." Lourival destaca, também, o desenvolvimento de Muriaé, especialmente na área de saúde, impactando positivamente a região. "A possibilidade de algumas economistas terem taxas de crescimento boas, criarem empregos e fortalecerem outros polos regionais é importante para a região como um todo, para que as oportunidades não estejam absorvidas e concentradas em Juiz de Fora."

Em relação ao saldo de empregos formais, o dado mais recente do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) aponta que o município perdeu 186 vagas no acumulado do ano até abril. No grupo das cinco, outras três cidades também demitiram mais do que contrataram no período: Muriaé (-94), Ubá (-76) e Manhuaçu (-19). Cataguases foi a única que conseguiu fechar o período com resultado positivo, criando 189 empregos com carteira assinada nos quatro primeiros meses deste ano. No ano passado, o cenário era inverso. No mesmo período avaliado, Juiz de Fora havia criado 1.744 empregos formais e liderava o ranking. Todos os outros municípios haviam conseguido contratar mais do que demitir. A lista seguia com Ubá (382), Cataguases (109), Muriaé (68) e Manhuaçu (66).

Sobre o saldo de vagas formais, a avaliação de Lourival é que a geração de empregos no país está retraída. Ele cita também a influência sazonal, já que o desempenho no primeiro semestre tende a ser menor ante o segundo. O economista considera que, nos últimos anos, Juiz de Fora e vários outros municípios da Zona da Mata teriam operado em situação semelhante ao pleno emprego. Com isso, as retrações verificadas este ano teriam quase o impacto de "ajuste do mercado de trabalho" no curto prazo. "É importante que a economia brasileira cresça. A região, no entanto, precisa fazer a lição de casa, aproveitando as oportunidades que são colocadas."

Em arrecadação de impostos, Juiz de Fora se mantém muito à frente, com cerca de R$ 303 milhões apurados até abril deste ano, sendo cerca de 55% referentes a Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Cataguases ocupa a segunda posição, com R$ 69 milhões, sendo 79% de ICMS. Ubá está em terceiro lugar, com cerca de R$ 53 milhões recolhidos aos cofres públicos. Muriaé está em quarto, com R$ 30,5 milhões, e Manhuaçu, em quinto, com R$ 24,6 milhões. Os dados são da Secretaria de Estado da Fazenda, também considerando o acumulado do ano até abril.

 

 

Impulso vem de móveis e grandes indústrias

O secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Geração de Emprego e Renda, André Zuchi, reconhece que a evolução do PIB reflete a realidade de Juiz de Fora naquele momento (entre 1999 e 2011). "Foi uma década ruim do ponto de vista industrial. Para frente, começou a haver melhora", aposta ele. Embora ainda não seja possível dimensionar essa recuperação em números, o secretário aposta em melhor performance já em 2012. Em função da "base econômica" municipal, Zuchi esperava participação maior da cidade na economia regional - em 2011, foi de 32,4%. Na avaliação do secretário, algumas cidades da Zona da Mata apresentam desenvolvimento "firme", o que é considerado bom para toda a região, inclusive para a cidade. "Temos de pensar regionalmente também." Em suas palavras, a região "transborda", e as cidades do entorno começam a se beneficiar desta realidade. Para Zuchi, nos próximos dez anos - a contar de 2012 - será possível recuperar o terreno perdido.

A Tribuna procurou os outros quatro municípios com maior PIB na região para falarem sobre as suas realidades econômicas. O terceiro polo moveleiro do país e o primeiro de Minas, Ubá, localizada a 111 quilômetros de Juiz de Fora, tem a indústria moveleira como principal empregadora e vive um momento de expansão para o maior fortalecimento também do setor terciário. Dentre os investimentos futuros, a cidade prepara-se para receber o seu primeiro grande shopping center. O projeto, orçado em R$ 70 milhões, prevê a criação de mais de 800 empregos diretos e 1.500 indiretos.

Em Cataguases, a 125 quilômetros de Juiz de Fora, destaca-se a importância econômica das grandes industrias, como a Companhia Industrial Cataguases e a Energisa, "que fazem do município o segundo maior arrecadador de ICMS na Zona da Mata, perdendo apenas para Juiz de Fora", destaca a Prefeitura. Conforme a Prefeitura local, apesar de os setores de tecido e metal-mecânica terem perdido pujança nos últimos 20 anos, devido ao fechamento de muitas fábricas, a atividade econômica do município continua baseada nestes eixos. O posicionamento é que a economia local sofre os efeitos da realidade nacional, estabilizada em produção, emprego e renda, porém sem perspectivas de grandes investimentos no curto prazo.

Servida por duas rodovias federais e duas estaduais, Muriaé, a 160 quilômetros de Juiz de Fora, é considerada polo na região, como centro de fornecimento de insumos para confecções, que representam mais da metade do PIB. Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Cezar Bianchi, o fomento econômico de Muriaé é demonstrado pela indústria da moda de confecção, que reúne cerca de 415 empresas formais e emprega mais de cinco mil trabalhadores. Nos últimos dez anos, explica Bianchi, Muriaé tem acompanhado a expansão do setor da construção civil e o aumento da produção e o ganho em qualidade da indústria têxtil. Outro ponto forte na região é o turismo rural e de negócios, já que o município integra a Serra do Brigadeiro. Entre as lacunas, o secretário destaca a escassez de mão de obra qualificada e a guerra fiscal com o noroeste fluminense.

A Prefeitura de Manhuaçu também foi procurada, mas não falou à Tribuna.

 

Agenda aposta em maturação de projetos

Três anos após a criação da Agenda de Desenvolvimento da Zona da Mata, constituída por projetos para o desenvolvimento socioeconômico sustentável da região, poucos resultados podem ser vistos. A avaliação é que o diagnóstico feito em 2011 não sofreu mudanças expressivas. "Mudou o espírito das pessoas e dos agentes públicos", avalia o coordenador da Agenda, Jackson Fernandes.

Segundo ele, alguns projetos têm avançado e, quando entrarem em operação, a expectativa é que provoquem mudança nos números da região. "São projetos em fase de implantação", explica. Conforme a Fundação João Pinheiro (FJP), a Zona da Mata ocupa o 4º lugar em participação no PIB mineiro, o equivalente a 7,5%, com seus R$ 28,8 bilhões apurados em 2011. Perde para a Região Central (47%), Sul de Minas (12,7%) e Triângulo (11%). No período de 1999 a 2008, a região apresentou a segunda pior taxa de crescimento entre as 12 mesorregiões mineiras (32%) - resultado 50% inferior à média das quatro regiões que mais se desenvolveram (60,2%) no período: Metropolitana de Belo Horizonte, Noroeste, Central e Oeste.

Jackson explica que, após várias assembleias, foi possível chancelar o material, criando uma matriz de responsabilidade delegada a cada agente envolvido, como Prefeitura, UFJF e Governo estadual. "Trabalhamos em várias frentes, só que, em função da estrutura reduzida, optamos por trabalhar em projetos mais organizados." Entre esses projetos estão a habilitação para transporte de cargas e passageiros internacionais pelo Aeroporto Presidente Itamar Franco, a estrada de acesso, hoje em obra, o Parque Científico e Tecnológico de Juiz de Fora e Região, a implantação da rede regional de urgência e emergência na saúde, as ações voltadas a capacitação do homem do campo, visando a melhorar a qualidade e aumentar a produtividade na região, entre outros. "No meu entendimento, a partir da maturação dos projetos, automaticamente o resultado vai aparecer. Todos eles interferem na nossa base econômica."

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