A Lei nº 12.790, sancionada no última sexta-feira pela presidente Dilma Rousseff, que regulamenta a profissão e estabelece a jornada de trabalho dos comerciários em 44 horas semanais, sendo oito horas diárias com a possibilidade de redução para seis horas em caso de realização de turnos de revezamento, não deve implicar mudanças no horário do comércio de Juiz de Fora. O setor conta hoje com aproximadamente 12 mil estabelecimentos e 26 mil trabalhadores. A ideia de ampliar o funcionamento das lojas até 18 horas aos sábados ainda é motivo de divergência entre patrões e empregados.
De acordo com o presidente do Sindicato do Comércio de Juiz de Fora (Sindicomércio-JF), Emerson Beloti, a ampliação permitiria atender melhor a demanda de consumidores da cidade e de outros 73 municípios, da Zona da Mata e do Rio de Janeiro. "Muitas pessoas aproveitam o fim de semana para fazer compras. Quem vem de fora não deveria encontrar as lojas de portas fechadas." Ele explica que, para a adequação, não haveria nenhum tipo de desrespeito à lei. "Atualmente, o colaborador do comércio trabalha 44 horas por semana e isto seria mantido. Para a ampliação, faríamos revezamento, oferecendo folga na segunda de manhã, por exemplo, que é menos movimentado."
Segundo Beloti, a situação poderia gerar a criação de novos empregos. "Pode ocorrer de o empresário sentir a necessidade de aumentar o quadro de colaboradores para poder ter a loja aberta até mais tarde." Atualmente, ele explica que já é garantido, em Convenção Coletiva, que o comércio funcione até as 16h aos sábados. "Isto é válido para quem solicita o certificado de regularidade ao Sindicomércio-JF", destaca. Para receber o documento, é preciso estar em dia com as contribuições sindicais, patronal e laboral, e enviar a relação de funcionários que irão trabalhar no horário.
Já o vice-presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Juiz de Fora (SEC-JF), Wagner França, defende que não há motivos para ampliação do horário de funcionamento do setor aos sábados. "Não existe demanda para isso. O comércio do Centro de Juiz de Fora morre depois das 14 horas. Esta proposta é do interesse de poucos empresários", afirma. Para França, a medida seria prejudicial. "Diminuiríamos o número de consumidores dos shoppings que ficam abertos, pois não há clientela para todos." Para ele, a demanda pode surgir com o tempo e, quando isso acontecer, a entidade não será contra a ampliação do horário de funcionamento.
Demanda
Para o presidente da Associação Comercial do Bairro Manoel Honório, Carlos Alberto Makla, a demanda de consumidores no Centro pode ser criada a partir da ampliação do horário de funcionamento. "Em nossa região aconteceu isso. Há mais de cinco anos, muitas lojas funcionam até às 18 h e estão sempre cheias." Na visão de Makla, manter o comércio aberto até mais tarde é muito positivo. "O consumidor tem mais alternativa para comprar. Além disso, há oportunidades de criação de empregos", ressalta. "O importante é que tudo seja feito dentro da lei. Não é interesse do empresário abusar do colaborador."



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