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22 de Dezembro de 2013 - 07:00

Pauta de 2014 herda projetos que atravessaram 2013 em marcha lenta e evidencia necessidade de atrair negócios e expandir arrecadação e empregabilidade

Por FABÍOLA COSTA

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Mercedes: expectativa para elevar arrecadação
Mercedes: expectativa para elevar arrecadação

Sem protocolos de intenção firmados em 2013 e mantendo o sétimo lugar no ranking mineiro de arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), Juiz de Fora tem como desafios atrair empresas, melhorar o ambiente de negócios e avançar em 2014, mesmo diante de um cenário incerto, em função de sinais de esgotamento do modelo macroeconômico e da pressão provocada pelo período eleitoral. Fica para o ano que se inicia a expectativa da cidade de ver retomados os voos regulares no Aeroporto Presidente Itamar Franco, de conseguir a liberação, por parte do TCU, para execução das obras do Parque Científico e Tecnológico da UFJF e de concretizar o Centro de Distribuição da Fiat, anunciado em 2012. O início das operações de empresas prometidas desde 2010, como a Brafer, também foi transferido para a pauta de 2014. O alento são os bons resultados colhidos este ano pela Mercedes-Benz, cuja produção ganhou ritmo e é uma das apostas para elevar a arrecadação municipal nos próximos anos.

O recuo na empregabilidade verificado em 2013 deixa para 2014 também o desafio de criar novas vagas. No acumulado do ano até novembro, foram abertas 2.642 oportunidades no mercado formal juiz-forano, número 64% menor do que o apurado no mesmo período do ano anterior: 7.347. O salário médio praticado é de R$ 1.055,26, conforme dados de outubro do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A indústria da cidade e região também busca reverter a perda de faturamento, registrada mesmo apresentando aumento de pessoal empregado e massa salarial, conforme a Fiemg. Já o comércio, que queixou-se de desaquecimento ao longo do ano, ainda aposta na tradição do Natal para iniciar bem o novo ano. A meta dos dois setores, inicialmente, era fechar 2013 com crescimento de até 3%. A indústria refez os cálculos e abaixou o percentual para 1%. O comércio ainda acredita em alta de, pelo menos, 2% no ano.

 "Velocidade de cruzeiro"

Para o diretor da Faculdade de Economia da UFJF, Lourival Batista de Oliveira Júnior, 2013 foi um ano difícil não só para a cidade, mas para o país como um todo, em função dos sinais de esgotamento do modelo de crescimento, calcado no consumo e na distribuição de renda. "Essa diminuição de ritmo deve-se ao esgotamento de um ciclo. Para o ano que vem, existe a dificuldade de se imaginar a manutenção dele." A avaliação é que houve redução de ritmo. "Estamos em 'velocidade de cruzeiro', que é alimentada por coisas do passado. Os projetos vão mantendo essa taxa de crescimento que, se não altera espetacularmente, mantém a cidade em movimento. Imagino que continue (o município) crescendo, ainda a taxas não tão satisfatórias quanto gostaríamos." Para o economista, 2014 pode ser muito parecido com 2013, sem retomada de crescimento, nem quedas expressivas - tendência nacional que deve ser percebida também na cidade. "A expectativa provavelmente é de crescimento baixo, mas não ausência de crescimento."

Lourival alerta que 2014 pode ser um ano "complicado". Por um lado, a pressão inflacionária não debelada, combatida com elevação da taxa de juros e redução do crescimento, pode se refletir na economia local, embora a necessidade de manutenção do nível de atividade e emprego aumente em ano eleitoral. Na sua opinião, a falta de atração de empreendimentos em potencial não é um problema do município, mas nacional. "Quando os espíritos estão mais receosos por parte da iniciativa privada, os empresários não vão se arriscar muito. Muitos projetos vão ser tocados mais devagar, com muito mais cuidado ou nem iniciados. De certa forma, Juiz de Fora reflete um pouco desse cenário."

 

Fiemg cobra política pública para a indústria

Para o presidente da Fiemg Regional Zona da Mata, Francisco Campolina, o fato de Juiz de Fora não ter firmado protocolos de intenção este ano reduz as chances de instalação de novas indústrias em 2014. Campolina cobra a definição de uma política industrial, com concessão de área, isenção fiscal e disponibilização de infraestrutura, visando a real atração de novos negócios para o município. Apesar da redução na expectativa de crescimento do setor este ano, para 2014 a perspectiva é de avanço, com alta de, pelo menos, 2% no faturamento, mesmo com menor impacto na empregabilidade. Para ele, a expansão na criação de vagas, se houver, deve ser puxada pela construção civil, já que na indústria de transformação a margem é considerada pequena. Um sinal disso, segundo o presidente, é a criação de 739 oportunidades este ano até novembro, deixando o setor em segundo lugar em estoque de emprego no município. A utilização de 86% da capacidade instalada também foi citada. "É difícil aumentar muito mais a empregabilidade, a não ser que novas indústrias venham a se instalar na cidade."

O presidente da Fiemg preocupa-se com o fato de Juiz de Fora perder em arrecadação (de ICMS) para cidades como Uberaba e Sete Lagoas. No caso da indústria, o valor arrecadado foi 5,4% menor no período de janeiro a setembro ante o mesmo intervalo de 2012. Apesar da queda, a retração foi a menor entre os demais setores produtivos: comércio apresentou redução de 11,5%, e serviços, de 14,9% no mesmo período analisado. "A cidade continua com arrecadação fraca. É preciso muito faturamento para suplantar as outras. Somos a sétima em arrecadação e já fomos a segunda entre as décadas de 1930 e 1970", preocupa-se.

À espera do resultado do Natal, o presidente do Sindicato do Comércio (Sindicomércio), Emerson Beloti, aposta nas Eleições e na realização da Copa do Mundo no país para garantir melhor performance. O setor, na avaliação dele, sofre os impactos do endividamento do consumidor, do baixo crescimento econômico e da concorrência com o comércio virtual. Para o presidente do Sindicomércio, é importante que, no próximo ano, o Poder Público concretize projetos importantes para o setor, como revitalização do Centro e transferência dos ambulantes para "local adequado".

 

PJF estuda incentivo fiscal e IPTU progressivo

O secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Geração de Emprego e Renda da PJF, André Zuchi, diz que 2013 foi dedicado à consolidação de investimentos, "a parte mais difícil deste processo". Na sua opinião, o baixo crescimento econômico verificado no país afetou projetos em curso na cidade, que "andaram um pouco mais devagar". Zuchi, no entanto, destaca avanços, como a aprovação da lei de incentivo ao setor de Tecnologia da Informação (TI) e a expectativa de consolidar a atração de empresas na área tecnológica, a partir da redução do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza de 5% para 2%.

Outra determinação do plano de Governo, segundo o secretário, é transformar a cidade em um centro logístico. Com este objetivo, ao longo do próximo ano será realizado trabalho com a Secretaria de Fazenda, visando a conceder incentivo ao serviço logístico, o que tornaria a cidade mais competitiva ante concorrentes, como Baixada Fluminense, Uberlândia e Vale do Paraíba. Outra meta é implantar o imposto progressivo nas áreas de especial interesse econômico, como o Distrito Industrial (DI). A ideia é conceder desconto no IPTU caso a terra seja usada para geração de emprego, evitando a especulação imobiliária. "Não pode se iludir, achando que Juiz de Fora tem a melhor e a única posição logística. A posição logística é privilegiada e vai ser a melhor se a gente souber atrair as empresas e convencê-las de que aqui é melhor do que em outros lugares."

Para Zuchi, a instalação do Centro de Distribuição da Fiat será um marco neste sentido. A intenção da Prefeitura era encaminhar, em setembro, pedido de concessão do direito real de uso da área para aprovação da Câmara Municipal. O prazo foi revisto para o início de 2014. Segundo o gerente de Logística da Fiat, Mauricélio Faria, as obras terão início seis meses após a transferência de posse. Já o início das operações deve acontecer, no máximo, um ano depois. Com investimento de R$ 11 milhões, o Centro de Distribuição receberá veículos que chegam via Porto do Rio de Janeiro e hoje são transportados até Betim. Entre os benefícios de encurtar o trajeto estão a possibilidade de otimizar custos, agilizar entregas e reduzir a frota em circulação nas vias de escoamento da produção. O gerente comenta que a unidade terá capacidade de receber até 18 mil automóveis importados e para exportação. " A unidade contribuirá para o fortalecimento de Juiz de Fora como polo logístico, além da ampliação da arrecadação de ICMS", disse, sem estipular números.

Ainda nesta linha de ação, o secretário destaca a movimentação feita por investidores na construção de condomínios logísticos, às margens da BR-040, e a possibilidade de duplicação da rodovia, no trecho entre Juiz de Fora e Brasília, cujo leilão de concessão está previsto para a próxima sexta-feira. Entre os entraves para o desenvolvimento mais veloz deste potencial, Zuchi cita a concorrência e o preço da terra, em muitos casos, supervalorizado. A concessão do Aeroporto Presidente Itamar Franco e a sua exploração como centro logístico aeroportuário também são bandeiras importantes para o próximo ano. A Tribuna procurou a Multiterminais Alfandegados, que gerencia o local, e a Secretaria de Estado de Transporte e Obras Públicas (Setop) para saber os planos para o Itamar Franco em 2014. A Setop, por meio de sua assessoria, informou apenas que está prevista para janeiro a audiência pública que antecede o lançamento do edital da Parceria Público Privada para administração do aeroporto pelos próximos 25 anos.

 

Expectativa de protocolos na área automotiva

Apesar do embargo nas obras do Parque Científico e Tecnológico de Juiz de Fora e Região - nos bastidores, a expectativa é de reversão do quadro em janeiro - o secretário de Desenvolvimento Econômico considera uma aposta "forte" para 2014. Procurado, o secretário de Desenvolvimento Tecnológico da UFJF, Paulo Nepomuceno, preferiu não comentar o assunto. Zuchi também destacou a expectativa de que a produção de caminhões pela Mercedes-Benz na cidade possa aumentar a arrecadação de ICMS e estimular a criação de um parque automotivo local. Em 2013, Juiz de Fora perdeu a chance de sediar a fábrica de automóveis da marca, mas acompanha o avanço de produção e nacionalização de caminhões na cidade e o aumento das especulações sobre a possível transferência de outras linhas de produção de veículos comerciais, além dos dois modelos produzidos na cidade atualmente. Esta possibilidade, não confirmada pela montadora, é esperada para 2015 em diante.

Conforme a PJF, há duas empresas do ramo automotivo interessadas na cidade: um fornecedor de autopeças e uma empresa de manufatura de vidros automotivos. A expectativa de Zuchi é firmar protocolo de intenções com as duas no próximo ano. A intenção é atrair negócios do ramo não apenas para atender a montadora, mas também o polo automotivo localizado em Resende, no Rio de Janeiro.

Em depoimento encaminhado à Tribuna, o presidente da Mercedes-Benz do Brasil, Phillipp Schiemer, destacou a produção de mais de 12.700 caminhões na planta juiz-forana em 2013. "Com isso, a unidade corresponde à expectativa inicial para os seus primeiros anos de operação, cujo volume anual está previsto entre dez mil e 12 mil unidades do caminhão leve Accelo e do extrapesado Actros." Schiemer também destacou os esforços para aumentar a "sinergia" entre as fábricas mineira e paulista (São Bernardo do Campo), já que, para o executivo, ter dois locais de produção deve ser uma vantagem competitiva.

O secretário de Desenvolvimento Econômico reconhece o ano fraco em geração de emprego, a necessidade de melhorar o salário médio da cidade, considerado baixo, e o ambiente de negócios, desburocratizando os processos, "recuperar a base industrial do município" e trazer os grandes operadores comerciais para a cidade. Zuchi acha difícil conseguir recuperar posições no ranking de ICMS mineiro em 2014, mas acredita ser possível, em 2015, superar municípios como Uberaba, por exemplo. "Fizemos uma inflexão, que não está completa. É preciso consolidar o processo para que a inflexão não se torne um ponto fora da curva."

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