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19 de Fevereiro de 2012 - 07:00

Maior reajuste ocorre na educação, mas atingem também salões de beleza, estacionamentas e mecânicas; IPC em janeiro acumula alta de 0,66%

Por FLÁVIA LOPES

Nos salões de beleza, a maioria dos serviços está custando maisMARCELO RIBEIRO/17-02-12
Nos salões de beleza, a maioria dos serviços está custando maisMARCELO RIBEIRO/17-02-12

O aumento do salário mínimo, que teve um reajuste de 14,13% e chegou a R$ 622 (em vigor desde 1º de fevereiro), já impactou no valor dos serviços em Juiz de Fora. Basta andar pelas ruas para ver que ir ao salão de beleza, fazer um curso de línguas ou almoçar fora já são atividades que estão pesando mais no bolso. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) acumulou em janeiro alta de 0,66%, sendo que a educação (6,42%) e os serviços pessoais (0,87%) foram os fatores que mais impactaram. Viajar de ônibus ou de avião, comprar jornal e entrar na academia, foram alguns dos aumentos, tirando aqueles sazonais - como educação e transporte escolar, por exemplo (ver quadro).

Nos salões de beleza, a maior parte dos serviços foi reajustada. Porém, muitos empresários preferiram aplicar a alta entre novembro e dezembro, devido à época de pagamento do 13º salário. No salão Oficina da Beleza, o serviço de manicure (pés e mãos), registraram reajuste de 20%, passando de R$ 20 para R$ 24. Já no Starlight Cabeleireiros, o corte também sofreu reajuste este ano, passando de R$ 42 para R$ 47 o feminino - alta de 12%. Segundo o proprietário, Amauri Pettersen, o aumento ocorreu após um ano com preços estáveis. "Tivemos aumentos de aluguel, de salário mínimo. Não tínhamos como manter o preço antigo."

No salão Sobrancelhas na Lupa, Tatiane Machado Miranda, o reajuste foi feito em novembro. "As pessoas começam a receber o 13º salário, e o impacto é menor. Preferimos mudar os preços nessas épocas, pois há menos queixas." A recepcionista Bruna Fernandes Ribeiro, no entanto, resolveu mudar os hábitos para gastar menos. Ela diz que agora sempre procura fazer as sobrancelhas no início da semana, quando paga R$ 2 a menos. "A diferença é pequena, mas se a gente tem como economizar, fica melhor."

 

Demanda

Segundo o doutor em economia Fernando Agra, os reajustes estão ocorrendo em vários setores, como salões, estacionamentos e serviços mecânicos, já que a demanda por esses serviços continua grande. De acordo com o professor, o principal motivo para o repasse é o aumento do custo de produção. "No setor de serviços, a mão de obra tem um peso muito grande."

Ainda de acordo com Agra, o reajuste do mínimo de 14,13% tem feito com que muitas pessoas passem a utilizar serviços extras, que não os de primeira necessidade, que provoca um aumento da procura. "Entra na composição do valor final a inflação da demanda e a dos custos de produção do empresário."

 

Altas sazonais impactam inflação do IPC

Entre os principais fatores que impactam na alta do IPC de janeiro estão os gastos sazonais, como educação com destaque para a infantil (9,04%), o ensino fundamental (9,25%), o médio (8,99), além dos cursos pré-vestibulares (5,96%) e de idiomas (4,66%). Segundo informações do Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinepe - MG), as mensalidades das escolas particulares tiveram um reajuste médio de 12% no ano.

Entre os vários fatores que contribuíram para este reajuste, segundo o Sinepe-MG, estão o aumento do salário mínimo, a inadimplência que, dependendo da instituição, chegaria a 20%, a contratação de profissionais e as reformas pedagógicas.

 

Transporte

O transporte escolar segue a mesma linha. Porém, na cidade, o aumento médio das empresas que transportam estudantes ficou entre 5% e 7%. O proprietário de uma empresa de transporte, Clóvis Nery, diz que o aumento chega a R$ 10 de um ano para o outro. Mas ainda não repassou aos clientes pois está calculando as planilhas de custos para 2012.

Também na lista dos principais reajustes, a alimentação fora de casa tem pesado mais no orçamento do juiz-forano em alguns estabelecimentos. Segundo o presidente da Abrasel, João Matos, os reajustes ocorrem de forma isolada. Para ele, a principal pressão sobre os custos dos produtos, é o preço dos alimentos, mais do que os salários. "No nosso meio, hoje, são poucos os que pagam o mínimo. Por isso, a alta não gera um custo tão maior de um ano para outro. Normalmente, os salários ficam acima disso." De acordo com a pesquisa Índice Alelo de Preço Médio de Refeição 2012, realizado pelo Datafolha, e divulgada este ano, no entanto, os preços da cidade eram os mais altos de Minas Gerais para quem almoça fora de casa.

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