A determinação do desembargador Jorge Berg de Mendonça, da Terceira Região do Tribunal Regional do Trabalho (TRT-MG), que exigia a circulação de 80% dos ônibus na cidade nesta quarta-feira (6), foi descumprida pelos grevistas. Segundo a assessoria de imprensa da Astransp, na parte da manhã e início da tarde, apenas 13% dos veículos foram às ruas. No início da noite, o percentual aumentou para 15%, o que correspondia a 90 carros dos 588 que compõem a frota. Ainda de acordo com assessoria da Astransp, a Tusmil teria tentado colocar 15 veículos em circulação no final da tarde, mas os profissionais voltaram para a garagem em função de ameaças.
Diante do descumprimento da determinação do TRT por parte dos grevistas, a Polícia Militar formalizou boletim de ocorrência que será encaminhado hoje ao órgão. "Nós relatamos que não houve 80% dos ônibus circulando na cidade, conforme havia sido estabelecido. O documento será enviado para avaliação do desembargador", disse o assessor da 4ª Região da Polícia Militar, major Paulo Alex.
A PM também registrou outros seis boletins de ocorrência envolvendo os coletivos. Quatro deles se referiam ao apedrejamento de veículos por tentativas de motoristas que não aderiram à greve de ir para às ruas. Outros dois relatavam ameaças de agressão aos motoristas e cobradores que "desrespeitaram" o movimento. O primeiro caso foi registrado às 4h30, no Bairro Filgueiras, por um motorista que informou que o ônibus que conduzia teve os vidros quebrados quando uma pedra foi arremessada. De acordo com o diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário (Sinttro), Jorge Pereira (Jorge Cobrinha), esse tipo de ação não foi praticada pelos grevistas. "Acredito que foi a própria população que promoveu o ato, indignada porque o veículo, que saiu para buscar funcionários, não parou para pegar passageiros."
Na madrugada desta quarta-feira, a Tribuna voltou às garagens das viações Tusmil, Santa Luzia, São Francisco e Ansal e constatou mobilização de grevistas. Como na terça, o movimento foi acompanhado por policiais militares. Segundo Pereira, foi realizada assembleia em frente à Viação Santa Luzia, ficando decidido que não haveria o cumprimento da liminar, mesmo com a multa de R$ 50mil por dia. "Não temos como colocar 80% da frota nas ruas. Já perdemos controle da situação", disse, alegando que os próprios grevistas se negaram a trabalhar



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