Depois de oito horas de negociação, nesta quinta-feira (7), o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) sugeriu reajuste salarial linear de 10,63% para motoristas e trocadores em Juiz de Fora, em greve desde a última terça-feira. Tanto o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário (Sinttro) quanto a Astransp se comprometeram a levar a proposta para aprovação da categoria e dos empresários, respectivamente. Assembleia está prevista para terça-feira. Enquanto isso, a paralisação da categoria continua, com o compromisso dos rodoviários de manter 80% da frota em circulação. O percentual mínimo de oferta do serviço foi definido pelo desembargador do TRT Jorge Berg de Mendonça, por meio de liminar concedida na terça-feira. Berg mediou a audiência realizada nesta quinta em Belo Horizonte e espera um posicionamento das partes até o dia 13.
A proposta é que os trabalhadores recebam, de imediato, 6,63% referentes à correção inflacionária pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). O restante será pago de forma escalonada. Outros benefícios discutidos e acordados em reuniões anteriores foram mantidos. As informações foram confirmadas por Astransp e Sinttro. O secretário de Transportes, Rodrigo Tortoriello, e o procurador geral do Município, Leonardo Guedes, estiveram presentes ao encontro. A assessoria da Prefeitura afirmou que, em relação às negociações, as partes é que devem se manifestar sobre o assunto. O posicionamento é que a Prefeitura continuará acompanhando o processo, para que seja cumprida a determinação judicial. Também procurado, o TRT, por meio de sua assessoria, informou que houve o compromisso de não divulgar o resultado do encontro publicamente.
Conforme o último balanço do dia divulgado pela Astransp, 471 ônibus, o equivalente a 80% da frota constituída por 588 coletivos, estavam em circulação, conforme levantamento realizado às 17h45 pela entidade. Nesta quinta, com o cumprimento da decisão do TRT por parte do Sinttro, o juiz-forano tentou retomar a normalidade. O movimento no Centro foi intenso, já que na quarta-feira, quinto dia útil, não havia transporte em oferta suficiente para a população. O boato sobre uma possível paralisação à tarde, no entanto, preocupou os usuários. Houve quem corresse para voltar para casa, com receio de nova interrupção do serviço.
O primeiro tesoureiro do Sinttro, Carlos Alves de Souza, recebeu o boato com surpresa e chegou a anunciar a intenção de formalizar boletim de ocorrência na Polícia Militar (PM), eximindo o sindicato de qualquer responsabilidade sobre o possível ato. Alves garantiu que a entidade está cumprindo a ordem judicial. Em caso de descumprimento, a exemplo do que aconteceu na terça, quando os ônibus não circularam, a multa diária chega a R$ 50 mil.
Juiz-forano enfrenta dia de filas
Com o retorno da circulação dos ônibus, os juiz-foranos lotaram as ruas do Centro nesta quinta-feira à tarde. E tiveram que enfrentar várias filas: para atendimento em bancos e lotéricas, para entrar nos coletivos e para conseguir táxi. Apesar de ser o sexto dia útil, foi como se fosse o quinto, e muitas pessoas aproveitaram para fazer recebimentos e pagamentos. Com isso, o que se viu foi muito movimento em lotéricas e agências. Na hora de voltar para casa, diante do boato generalizado de que os coletivos iriam parar outra vez, fato que não ocorreu, muitos recorreram aos pontos de táxis. Quem preferiu esperar pelos ônibus teve que ter paciência. Foi preciso enfrentar filas para conseguir entrar nos veículos, que ficaram lotados.
Moradora do Bairro Monte Verde, a faxineira Cândida de Almeida, 42 anos, disse que durante a greve dos rodoviários esteve impossibilitada de ir ao Centro, por isso, aproveitou o dia para executar várias tarefas. "Já passei em muitos lugares para resolver várias pendências. Agora vou enfrentar a fila da lotérica para pagar as contas." Esperando atendimento em outro estabelecimento do tipo, a atendente Aline Reis, 25 anos, conta que, nos dias de paralisação foi a pé de casa, no Bairro Progresso, até a imobiliária em que trabalha, no Centro. "Gastei mais de uma hora no percurso. Com a volta dos ônibus, posso ir mais tarde para casa, então estou aproveitando para pagar as contas."
Nos bancos, o movimento também foi intenso. A microempresária Maria Raimunda de Almeida, 37 anos, levou o pai, Francisco de Paiva, 62 anos, para receber o auxílio-doença e demorou mais de duas horas para conseguir atendimento. "O sistema estava fora do ar, acredito que por conta da sobrecarga. Fomos encaminhados para outra agência, mas ele não pode receber o benefício lá, então voltamos." Para usar o caixa eletrônico, o motorista Carlos Roberto Barbosa, 45 anos, conta que esperou 20 minutos na fila. De férias, ele diz que ficou longe do movimento grevista, mas teve sua rotina afetada pela falta de transporte público. "Moro no Bandeirantes, não pude vir ao Centro esses dias."
Na dúvida se o retorno dos ônibus era provisório ou não, a dona de casa Maria do Carmo Marques, 54 anos, preferiu voltar para casa de táxi. "Moro no São Mateus, acho melhor pagar uma táxi do que correr o risco ir para o ponto de ônibus e não ter condução", avalia. O auxiliar de serviços gerais Jair Adriano do Nascimento, 42 anos, não acreditou nos boatos e preferiu ir para o ponto de ônibus. "Esperar não me incomoda. Fiquei esses dias todos caminhando 1h30 da minha casa, no Bairro Bonfim, até o trabalho no Altos Passos."
Segundo Alves, nesta quinta, os dirigentes sindicais não foram para a porta das garagens, para não estimular a resistência dos trabalhadores. "A categoria entendeu e resolver acatar a Justiça, mas a greve não acabou. Estamos simplesmente acatando uma sentença judicial." Embora garanta que o movimento continua, reconhece que está enfraquecido, "quebrou", definiu. De acordo com o tesoureiro, os funcionários estão em plantão nas empresas, à disposição delas, e com a incumbência de fiscalizar o movimento. "Recebemos vários telefonemas que algumas empresas estão rodando com 100% da frota." De acordo com ele, será solicitado ao departamento jurídico que oficie as empresas a respeitarem o movimento grevista e o cumprimento do percentual.
471 ônibus voltaram a circular
Ao contrário do que aconteceu na terça e na quarta, nesta quinta os juiz-foranos encontram vários ônibus circulando pela cidade. Os rodoviários acataram a determinação do TRT de colocar nas ruas 80% da frota dos coletivos para atender a população. Conforme o último balanço do dia divulgado pela Astransp, 471 ônibus da frota constituída por 588 coletivos, estavam em circulação, conforme levantamento realizado às 17h45 pela entidade. Na distribuição por viações, Santa Luzia colocou na rua cem ônibus, São Francisco, 90, Tusmil, 85, Gil, 70, Ansal, 50, Norte, 44 e São Cristóvão, 32. A entidade, por meio de sua assessoria, informou que as garagens das sete empresas confirmaram o número mínimo de carros por linha, determinado no plano emergencial criado pela Secretaria de Transporte e Trânsito (Settra). Na noite de quarta-feira, a secretaria elaborou um documento com o detalhamento de linhas e horários de ônibus de forma a atingir o índice de oferta mínima. Segundo o secretário Rodrigo Tortoriello, foram privilegiadas as linhas de maior movimento e de percursos maiores.
Por meio de nota, a Astransp afirmou que o dia nas empresas começou com alguns atrasos registrados na saída, mas foram sendo normalizados. Às 8h, disse a assessoria, apenas uma empresa ainda convocava motoristas para completar o quadro mínimo. Em outras duas viações, o cenário foi inverso: "como mais de 80% dos funcionários foram trabalhar e não quiseram ficar nas garagens, foi garantido a eles o direito de trabalhar".
A Tribuna percorreu algumas empresas e comprovou que a movimentação foi tranquila, sem qualquer tipo de manifestação ou boicote contra a volta ao trabalho. Para um motorista que preferiu não se identificar, o cumprimento da determinação judicial é um marco para o fim da greve. "Quem vai querer ficar na garagem, de braços cruzados, sem apoio? Todos têm medo. Os patrões são muito poderosos, a gente corre o risco de perder o emprego", afirmou.



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