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13 de Julho de 2014 - 06:00

Com número cada vez maior de funções, aparelhos tomam ruas e vão ganhando espaço inclusive na rotina financeira dos juiz-foranos

Por GRACIELLE NOCELLI

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Thiago: conta bancária e controle de gastos no telefone
Thiago: conta bancária e controle de gastos no telefone

Tudo, ou quase tudo, no alcance das mãos. Com o avanço tecnológico, os telefones celulares ganham cada vez mais funções e atraem um número maior de usuários, que têm a rotina modificada pela praticidade oferecida pelos aparelhos. Estudo feito pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) mostrou que 143 milhões de brasileiros acima de 10 anos possuem telefone móvel, o que corresponde a 85% da população nesta faixa etária. Dentre estes, 52,5 milhões (31%) acessam a internet por meio do aparelho. O número revela grande mudança de comportamento e das relações de consumo: há cinco anos, apenas 4% deste público estavam conectados. Enquanto estabelecimentos se adaptam a esta nova realidade para garantir a clientela, a preocupação é que o consumidor saiba acompanhar a evolução tecnológica sem desequilibrar as contas.

Cada vez mais modernos, os celulares permitem aos usuários a realização de uma série de tarefas, de forma rápida e fácil. "A maior parte das pessoas ainda utiliza o aparelho para fins de entretenimento, mas verificamos o aumento de atividades como uso de comércio eletrônico e ferramentas bancárias", diz o coordenador da pesquisa do Cetic.br, Fábio Senne. Em Juiz de Fora, o cenário se confirma. A Tribuna percorreu as ruas do Centro na última quinta-feira e encontrou um grande número de pessoas conectadas (veja vídeo abaixo). Os celulares saíram de bolsas, mochilas e bolsos para serem levados nas mãos, hábito que torna mais prático - e constante - o uso dos aparelhos.

O músico Thiago Salomão, 30 anos, passa boa parte do tempo livre conectado. Para ele, o celular é um facilitador de várias tarefas. "Uso muito para fazer pesquisas e divulgar meu trabalho. Também acesso redes sociais, vejo vídeos e tiro fotos." Ele conta que desde que adquiriu o aparelho, "aposentou" a câmera fotográfica. Além de trabalho e lazer, o celular mudou a rotina do músico como consumidor. "Gosto da facilidade de estar em qualquer lugar e poder pesquisar preços de lojas ou saber quais shows irão acontecer", exemplifica. "Já fiz compras pelo aparelho, tenho aplicativo que me alerta sobre os gastos com cartão de crédito e verifico minha conta bancária."

De acordo com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), em 2013 a internet e o mobile banking assumiram o posto de principais canais de relacionamento entre bancos e clientes no país. Um total de 47% das transações bancárias foram realizadas por estas ferramentas. "A conveniência trazida por esses canais foi tanta que não apenas fez os clientes abandonarem as visitas físicas aos outros canais, como também os incentivou a serem mais ativos. Estes usuários realizam muito mais transações do que aqueles sem acesso aos canais virtuais", destaca a Febraban na Pesquisa de Tecnologia Bancária.Dados da entidade mostram, ainda, que em 2009, 400 mil contas estavam habilitadas a usar o mobile banking. Em 2013, esse número aumentou para 11,7 milhões.

Na avaliação do professor de engenharia de telecomunicações e administração de empresas do Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora (CES-JF), Almir Gonçalves Pereira, o crescimento do uso de celulares, tanto para comunicação em voz ou via internet, é um benefício para o mercado. "É uma forma de disseminação de tecnologias mais modernas. A resposta ou aceitação a estas novidades é um bom indicador para as próximas inovações, o que se traduz numa excelente vantagem mercadológica." O especialista alerta para o consumo "equilibrado". "O consumidor tem que vigiar se o incremento de inovação nos aparelhos realmente justifica a sua aquisição."

Perfil

Os jovens são maioria entre o público que utiliza a internet no celular, conforme estudo do Cetic.br. Entre as pessoas com faixa etária de 10 a 15 anos, 45% acessam a rede pelo aparelho, indicando a chegada de uma geração de consumidores ainda mais conectada. "Também há uma diferenciação entre classes. As mais altas possuem maior representação, embora tenhamos verificado uma grande expansão do uso da internet no celular pela classe C nos últimos tempos", explica Fábio Senne.

Em pesquisa voltada para identificar os mais promissores mercados para startups em todo o mundo, o instituto norte-americano IbisWorld identificou o nicho de aplicativos e smartphones como o mais rentável deles. Segundo os números do instituto, o segmento deve acumular crescimento de 30% ao ano, atingindo um faturamento de US$ 34,7 bilhões em 2019. O número de novos negócios neste setor deve ter crescimento anual de 27%, segundo as expectativas do IbisWorld.

 

Descontos na palma da mão

De olho neste nicho de consumidores, bares e restaurantes da cidade se movimentam em direção ao mercado on-line. Nos próximos dias, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) da Zona da Mata lança aplicativo gratuito com informações sobre o setor e a oportunidade de descontos para os consumidores. "Será uma versão aprimorada do Guia da Abrasel, com geolocalização, cardápio e horário de funcionamento dos estabelecimentos. O usuário também terá acesso à agenda cultural e informações turísticas da cidade, além de poder ganhar descontos", adianta o diretor executivo da associação, Marcos Henrique Miranda.

A novidade é bem vista pelo funcionário público Jefferson Milagres, 29 anos. Ele, que também passa boa parte do dia ao celular, utiliza aplicativos semelhantes. "Já recebi desconto de 20% em um restaurante e de 30% em uma pizzaria. Mas não são muitos locais que usam esta tecnologia na cidade, acredito que só os maiores", pontua. "Acho muito bom que novos estabelecimentos tomem esta iniciativa."

 

 

Risco de comprometer orçamento

Acompanhar a evolução tecnológica não é fácil. "O custo de aquisição dos aparelhos e de pagamento pelo uso também cresce com a rapidez com que novas tecnologias são disponibilizadas", destaca o professor de engenharia de telecomunicações e administração de empresas do CES-JF, Almir Gonçalves Pereira. "Quando o preço começa a cair, o produto é imediatamente substituído por outro mais moderno."

Esta foi a percepção da estudante N.D., 24 anos, que preferiu não se identificar. "Senti a necessidade de comprar um smartphone, pois meu celular só fazia e recebia chamadas, me sentia excluída." Ela recebia um salário mínimo, fixado, na época, em R$ 678. "O aparelho que eu queria custava R$ 600. Juntei o valor durante quatro meses, tempo que fiquei sem comprar roupas e gastar com lazer. Depois que comprei, percebi que o celular desvalorizou muito rápido." Almir orienta ao consumidor uma avaliação prévia. "O que sugiro é escolher a tecnologia que atenda às necessidades atuais e futuras, observando o real benefício frente ao investimento."

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