JF. quinta-feira 25 mai 2017
OUÇA AGORA
Publicidade
18 de maio de 2017 - 20:44

Em sessão tumultuada, vereadores consideram situação de Temer insutentável

Por Renato Salles

Enquanto manifestantes faziam um ato no Parque Halfeld, os possíveis desdobramentos da mais recente crise política que atinge em cheio o presidente Michel Temer (PMDB) e o senador e ex-governador Aécio Neves (PSDB) ecoaram no plenário da Câmara Municipal na noite desta quinta-feira (18). Entre discursos ásperos e emocionados, as falas se dividiram entre a defesa da necessidade de repactuar o Brasil e legitimar um Governo no âmbito federal com a realização de eleições diretas e a defesa dos ditames da Constituição, que definem realização de pleito indireto em caso de vacância da cadeira executiva a partir do terceiro ano de mandato. A unanimidade entre as falas, no entanto, foi no sentido da incapacidade de Temer manter as rédeas do país diante das últimas acusações.

Geralmente responsável pela condução das sessões, o presidente da Câmara, o vereador Rodrigo Mattos (PSDB), subiu à tribuna para falar como liderança do PSDB na cidade. Em seu discurso, Rodrigo classificou as acusações contra Aécio como “indefensáveis” e se mostrou decepcionado com o senador, que, nos últimos anos, foi a principal referência política do PSDB tanto no âmbito estadual como na esfera nacional. “Toda população se revoltou com a atitude do senador. Comigo não foi diferente. Ver o líder do seu partido, pessoa para quem fiz campanha e batalhei para eleger, nesta situação é muito triste. Ser flagrado pedindo R$ 2 milhões para um empresário não é passível de defesa. Isto me deixou bastante desiludido com a política”, afirmou o vereador.

Ex-presidente municipal do PSDB, Rodrigo afirmou ainda que o partido precisa fazer uma autocrítica. “É uma tragédia o que está acontecendo no Brasil. Nossa República está podre. Nosso sistema político está podre. O caminho não é outro senão a renúncia ou a destituição (do presidente).” Contudo, o presidente da Câmara não se disse favorável aos pleitos de eleições diretas que começaram a ganhar força desde o início da denúncia. “É o golpe dentro do golpe. Temos que seguir as regras do jogo, senão o Brasil fica fora de controle. Caso o presidente (Temer) seja destituído, o caminho, dentro das regras, seria uma eleição indireta no Congresso Nacional”, considerou.

 

Diretas já?

As palavras de Rodrigo foram elogiadas por alguns vereadores, como Kennedy Ribeiro (PMDB) e Vagner de Oliveira (PSC), que considerou a indignação do tucano como natural. Luiz Otávio Coelho (Pardal, PTC) também elogiou a postura do presidente da Casa, principalmente pelo fato de o tucano não tentar defender a principal liderança recente de seu partido. Pardal também se mostrou reticente com as bandeiras que pedem a realização de eleições diretas neste momento e chegou a classificar como um fardo a decisão de jogar nos ombros da população a realização de novo pleito em um momento tão conturbado. “Vai votar em quem para dar sequência nesta política do país? Como vai colocar no ombro da população esta pergunta?”, indagou.

O primeiro a pedir a realização de eleições diretas foi o vereador Wanderson Castelar (PT), que defende um pleito amplo, para todos os cargos eletivos, como solução para repactuar o país. “A nossa democracia está em risco. Não resta outra alternativa que as eleições diretas. Eleições de todos os níveis, de presidente a vereador.” Para o petista, o país se encontra à beira do precipício. “Só se resolve convocando eleições e legitimando novos representantes.” Tal posicionamento também foi defendido por seu colega de bancada, o vereador Roberto Cupolillo (Betão, PT).

Além da realização de novas eleições, Betão defendeu a instalação de uma constituinte para debater a reforma política. “Tem que se garantir uma constituinte exclusiva e soberana para se discutir a reforma política no país. Todas estas discussões têm origem no financiamento de campanha. Isto tem que acabar.” Outro que chegou a defender a realização de diretas foi Charlles Evangelista (PP). Cido Reis (PSB) também saiu em defesa de um novo pleito. “Hoje, o Congresso não tem credibilidade para poder discutir reformas tão importantes como a da Previdência e a trabalhista. A população tem que se mobilizar e exigir eleições gerais no Brasil”, afirmou.

 

Debate partidário

As discussões, no entanto, não ficaram apenas no campo das ideias acerca de qual a melhor solução diante da possibilidade de vacância na Presidência. O tom partidário marcou várias das falas. Betão e Castelar chegaram a afirmar as diferenças das provas obtidas a partir de delação nas situações de Temer e Aécio em relação às acusações que pesam sobre lideranças petistas, como os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. “Não são delações. São flagrantes”, afirmou Betão se referindo às denúncias contra o presidente e o senador tucano.

Por outro lado, Rodrigo Mattos foi irônico ao afirmar que, sob a ótica do petista, o triplex e o sítio não seriam de Lula, dando a entender que acredita nas suspeitas que hoje pairam sobre o ex-presidente. Estreante, Adriano Miranda (PHS) chegou a afirmar que, caso Lula volte a ocupar a Presidência, ele abandonaria a vida política e, até mesmo, o país. “Isto aqui é um registro. Que fique anotado”, reforçou.

Outro momento em que os debates político-partidários ficaram evidentes ocorreu logo após Charlles Evangelista defender posicionamento favorável à realização de eleições diretas e, logo em seguida, insinuar apoio a uma possível candidatura do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC). Os debates seguiram acalorados, e as discussões foram além da esfera federal, com críticas ao governador Fernando Pimentel (PT) e ao prefeito Bruno Siqueira (PMDB). A sessão chegou inclusive a ser interrompida quando um bate-boca entre Castelar e Sargento Mello (PTB) esquentou o plenário.

Publicidade


5 comentários

  1. Junior disse:

    Cara, o que mais me impressiona é ver a Câmara MUNICIPAL preocupada com assunto de governo federal. É pra isso que pagamos caro por vereadores? Pra que no lugar de discutir assuntos do municipio, fiquem batendo boca sobre um assunto que vai muito alem deles?

  2. Enaldo Pereira Soares disse:

    Eu não acredito que Rodrigo Mattos não tinha noção precisa sobre Aécio Neves. Ele ficou mais surpreso do que eu, que não sou político militante.

  3. julio cesar disse:

    Engraçado esses políticos do PT, estão pensando em eleições diretas para colocar o homem mais honesto do mundo no poder, esse pilantra está atolado até o pescoço, e, ainda tem gente (algumas) acreditam que ele é inocente.. Por isso deram-lhe o apelido de ENCANTADOR DE BURROS, será porque?

  4. José Luiz Britto Bastos disse:

    Eleições diretas! isso não se faz assim de uma hora para outra. Há uma constituição em vigor que determina, nesses casos, eleição indireta. Por outro lado ninguém pode negar, que o Temer estava começando a colocar o país nos eixos. Consertando a lambança feita pelo PT!

  5. Marlene disse:

    Comprar votos para vereador também é CORRUPÇÂO> Precisamos de reforma política!

*

Restam 500 digitos

 

Top