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Alameda do Parque do Museu Mariano ProcópioAlameda do Parque do Museu Mariano ProcópioLago do parqueAlameda que ao  Museu Mariano Procópio

Ilha e ponte sobre o Lago do Parque Mariano ProcópioIlha e ponte sobre o Lago do Parque Mariano ProcópioAlameda do parque Mariano Procópio


Com um lápis, o Imperador Dom Pedro II escrevia em seu diário, em 1861, durante sua primeira visita à Província de Minas Gerais, Juiz de Fora: ”É deste aprazível sítio que a arte converteu num brinco igual a qualquer lugar de banhos da Alemanha, sob o céu recamado de estrelas que porfiam com as inumeráveis luzes, que cintilam nos jardins e elegantes edifícios, ao som de uma harmoniosa banda de música de colonos tiroleses que Eu principio a narrar a minha viagem enquanto a lua não sai e Eu também, para percorrer estes jardins a inglesa, e subir ao alto de um outeiro, onde Lages acaba a construção da mais ”coquette“ habitação. Eu estou em outra casa que também lhe pertence e se acha no meio dos jardins e junto ao outeiro. Esta casa foi arranjada com apurado gosto e nada lhe falta... Chamam-me para passear, pois a lua já surgiu...“ A ”coquette habitação“ citada pelo imperador era a ”Villa“, construída por Mariano Procópio Ferreira Lage para receber a família imperial, durante a inauguração da Estrada União e Indústria. Mas a casa não ficou pronta, e o imperador teve que se hospedar na ”quinta“, onde hoje está localizada a sede da Quarta Região Militar. A família imperial visitou Juiz de Fora duas vezes, e só na segunda vez, em 1869, para inauguração da Escola Agrícola, sempre a convite de Mariano Procópio, é que o Imperador pôde se hospedar na ”Villa“. O ”Jornal do Comércio“, na edição de 27 de junho de 1869, publicava a seguinte notícia sobre a visita imperial a Juiz de Fora: ”Suas Majestades e Alteza alojaram-se no castelo do Sr. Ferreira Lage, espécie de habitação de fadas, que se ergue no cimo de uma ligeira colina cercada de extensos jardins, ornados de arvoredos, plantas raras, flores, cascatas, repuxos tanques, cercas de parasitas, assentos rústicos de caprichosas formas, animais curiosos e variedades de construções de recreio.“ Todas essas descrições, recheadas de lirismo e pompas, refletiam exatamente o cenário em junho de 1861, por exemplo, durante um almoço servido aos componentes da comitiva imperial, nas terras de Mariano Procópio, onde hoje se localiza o bairro Vale do Ipê, em Juiz de Fora, a beleza do lugar inspirou até a criação de sonetos. ”Senhor, como esta natureza / Tão rica, tão vivente e tão formosa / Mais bela ainda se ostenta e mais garbosa / Acolhendo em seu seio a realeza. / Como prima a palmeira em gentilezas / e a altiva sapucaia se ergue airosa! / No seio selva majestosa / Cada árvore parece uma princesa“. O soneto, escrito no momento do almoço, pelo representante da província do Rio Grande do Norte na Câmara Temporária, Amaro Carneiro Bezerra Cavalcanti, acabou sendo transcrito em uma reportagem publicada no ”Jornal do Comércio“, assinada pelo jornalista Escragnole Dória, sobre a primeira visita do Imperador a Juiz de Fora. Mas o próprio jornalista também exultava em seu texto, sobre os dotes naturais do parque da ”Villa“ de Mariano Procópio. ”Tudo isto“, escreveu Escragnole, ”se passava no meio da mata virgem, tão limpa que por toda a parte se podiam dirigir os passos desembaraçadamente.Um caminho atapetado com folhas de palmeiras indicava que alguma coisa havia que admirar naquela direção. Com efeito, na extremidade dela, está uma cascatinha arranjada com gosto pelos colonos, em sítio pitoresco, onde abundam lindas parasitas“.

Mesmo para o observador de hoje, não há como evitar a poesia e o lirismo da descrição do Parque do Museu Mariano Procópio. Sabiás, sanhaços, garrinchas e rolinhas voam entre o verde de jatobás, sapucaias, paineiras, jacarandás. O Parque do Museu é um pequeno paraíso onde o visitante caminha sob a proteção das folhagens que cobrem as alamedas de pedra do século XIX. São 88.200 metros quadrados de muito verde, próximo ao centro de Juiz de Fora. Na entrada, o lago, com pequenas ilhas, onde brilhavam os archotes dos antigos colonos, durante as visitas e passeios noturnos da Família Imperial. Todos os caminhos levam à ”Villa“, onde o imperador se hospedou, e passam em revista árvores centenárias. Junta-se ao ar o cheiro das camélias e das folhas das palmeiras imperiais. Lá estão a Árvore do Imperador e a Árvore do Viajante, que, segundo a lenda, mantinha um reservatório de água em sua bainha para matar a sede dos bandeirantes que trilhavam os caminhos inéditos das florestas brasileiras. A maior parte do terreno esteve ocupada por cafezais até 1930, quando ali foram plantadas jabuticabeiras, árvores nativas e espécies ornamentais. Espécies vegetais ameaçadas de extinção, como o pinheiro do Paraná, e exemplares antigos, com mais de 120 anos, abrigam uma imensa fauna de pássaros, macacos e preguiças. O projeto de criação do parque é atribuído ao francês Auguste Marie Francisque Glaziou, paisagista do século XIX, e sua concepção já revela a idéia de multiplicidade característica da época, ”essencialmente romântico, rural e sentimental“.

Às nove horas da noite, em 23 de junho de 1861, o imperador Dom Pedro II escrevia em seu diário, durante sua visita a Juiz de Fora, enquanto olhava da sacada da ”Chácara de Mariano Procópio“, o imenso parque à sua frente: ”Chego do passeio ao luar... Rodeei um lago, onde inúmeras luzes o espelhavam e havia uma barquinha... A casa do alto do outeiro envolvia-se então na neblina e agora apenas suas luzes formam um clarão no meio da densa névoa. A música aí me passou por perto da casa; tudo já se vai tornando silencioso...“

O Parque


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