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Cadeira de BraçoArmário-EscrivaninhaCadeira GôndolaArmário-BaixoConsole

Cômoda-PapeleiraCadeira dobradiça ou tesouraContadorArcaToucador

FloreiraMesa 'Boulle'PsychêLeito DosselRelógio de Caixa


No final do século XIX a burguesia brasileira tinha como hábito exibir sua riqueza, gerada nas exportações de café, através dos móveis de suas casas. Assim, o que caracteriza esta época é exatamente o chamado ”mobiliário de estilo“, criado em três tempos diferentes, durante os reinados de Dom João V, Dom José e Dona Maria, em Portugal. E foi assim que o Brasil não gerou seu próprio estilo, já que os móveis que serviam à classe abastada ou vinham diretamente da Europa ou eram então simplesmente imitados pelos marceneiros brasileiros. Nessa variação de tipologia e de estilos os móveis acompanhavam as estruturas econômicas e sociais, incluindo aí também as exigências de conforto e maneiras de viver. Entre um período e outro, portanto, vão se firmando as diferenças marcantes das estéticas, como, por exemplo, a influência do barroco e do rococó, com sua exuberância no século XVII, até as peças de composições mais simples, típicas do século XVIII.

O acervo do Museu Mariano Procópio revela alguns desses exemplos e dessas modificações de estilo. A ”Villa“, onde morava o fundador do Museu, Alfredo Ferreira Lage, busca preservar o ambiente residencial da família, que ali viveu durante muitos anos. São 16 salas, mobiliadas de acordo com os períodos do século XIX, destacando-se algumas características, como, por exemplo, a sala de música, com seus lambris de madeira trabalhada. Todos os ornamentos desta sala foram importados da Inglaterra e aqui montados. Ainda na ”Villa“estão expostos outros móveis em estilo Luis XVI, no escritório, nos quartos e nas salas de visita e de jantar, mobiliados de acordo com algumas influências ocidentais e orientais.

Grande parte do acervo mobiliário do Museu Mariano Procópio foi adquirido do Palácio de São Cristóvão, no Rio de Janeiro. Como, por exemplo, uma mesa ”Boulle“. (Charles Andrès Boulle - 1642-1732 - foi um marceneiro francês, estabelecido no Palácio do Louvre a serviço dos reis Luís XIV e Luís XV. Suas inovações artesanais nos móveis ficaram conhecidas como ”estilo Boulle“). Outra característica dos móveis do acervo era sua utilidade prática. O ”contador“ - peça em jacarandá do século XVII - por exemplo, tinha proporções menores, para facilitar o transporte, acompanhando os nobres em seus constantes deslocamentos. Ali eram guardados os documentos, como certidões de propriedades de terras e registros de escravos. Há também as peças que se caracterizam pela ”curiosidade“. Como um ”toucador“, de origem européia, utilizado para a higiene pessoal, e a cadeira usada na cerimônia do ”beija-mão“, por Dom João VI, no início do século XIX.

Nessa mistura de estilo, influências e objetivos, está o relato de parte importante da História do mobiliário brasileiro. Desde suas formas requintadas, com ornatos rococós e molduras salientes, até as construções mais rústicas, mas sempre refletindo a intimidade, os costumes e os segredos - além da condição social - de determinadas épocas. Uma história para a qual o Brasil contribuiu com a matéria-prima: desde a excelente madeira que os portugueses retiravam das matas tropicais, até a utilização das caixas que serviam como embalagem do açúcar que era enviado do Brasil para Lisboa. Tudo virava mobília.

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