O Brasil começou a ouvir falar em vidro no ano de 1809, quando o padre José Mariano da Conceição enviou um ofício ao Conde de Linhares: ”Tenho quem queira cuidar da fábrica de vidros“. Começava aí a produção, no país, de uma indústria que já possuía uma longa história, desde os fenícios, passando pelo Egito e chegando aos séculos XVI e XVII, quando o uso do vidro já estava desenvolvido. Porcelanas, cristais e louças eram utilizados não só no cotidiano das pessoas - como pratos, sopeiras, legumeiras, fruteiras, travessas, garrafas e vasos - como também para demonstrar um toque refinado na decoração dos ambientes das famílias nobres.
A Companhia das Índias, empresa de capital europeu com características das modernas multinacionais, teve como base a produção chinesa, exportando então uma porcelana de extrema beleza e qualidade. Mais tarde, os europeus descobriram a técnica de fabricação e os franceses passaram a vender as famosas porcelanas de Sèvres, principalmente depois do rei Luiz XV ter adquirido a fábrica. As louças da Companhia das Índias só chegaram ao Brasil no final do século XVIII. As famílias brasileiras - incluindo as mais aristocráticas - só usavam, até então, as chamadas baixelas de metal, produzidas com latão, estanho e prata.
O acervo de porcelanas, louças e cristais do Museu Mariano Procópio tem como base as peças adquiridas no Palácio de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, além de outras doações, de personalidades importantes da História política e social do Brasil. A família Imperial é uma dessas fontes de onde foram adquiridas várias peças. O monograma imperial aparece em parte significativa do acervo e algumas peças, como o par de vasos de cristais Baccarat, com as inicias de Isabel e Gastão - provavelmente presenteado aos noivos - representam momentos históricos marcantes do império.
Os cristais Baccarat - reconhecidos pela transparência, pelo fino acabamento e pela ressonância ao toque, cujo som é mais longo que os demais - foram comercializados por toda a Europa e no restante do mundo. Assim também como os cristais fabricados na França, que também são objetos de decoração das residências aristocráticas. No acervo do Museu Mariano Procópio estão expostas muitas das belezas destas peças, incluindo algumas exóticas, como uma sopeira de século XVIII, reproduzindo uma cabeça de javali.