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O Acervo

Desprezando o neoclassicismo, os modernistas do início do século XX só se interessavam pela arte colonial, e com isso conseguiram fazer com que o século XIX ficasse obscurecido. E o academicismo, que teve como base a escola neoclássica, acabou virando termo pejorativo. Ledo engano. O século XIX foi rico em produções, não só neoclássicas como também nas fases de reação, como o romantismo, o realismo e o impressionismo. Daí a importância histórica e qualitativa do acervo do Museu Mariano Procópio, que, em seu interior, guarda ou expõe quase duas mil obras, entre desenhos, gravuras e pinturas.

Alfredo Ferreira Lage, o fundador do Museu, tinha uma visão enciclopédica em seus objetivos de colecionador. E isso fica evidente na pinacoteca, que revela várias fases da arte na História do mundo. Mas é exatamente no período que vai de 1870 a 1930 é que se baseia a essência do acervo de Alfredo Ferreira Lage, um dos cinco mais importantes colecionadores deste período. Alfredo, ao adquirir suas obras, seguia exatamente o gosto da época: primeiro pelo interesse às artes européias, principalmente a francesa, e depois pela arte brasileira, com o desenvolvimento das academias no país, que começaram a gerar grandes artistas, principalmente a AIBA (Academia Imperial de Belas Artes) e a ENBA (Escola Nacional de Belas Artes). A ENBA surgiu após a Proclamação da República, em 1889, como uma nova sigla, em substituição à AIBA, e abrindo espaço para a entrada de jovens da nascente elite agrária e industrial.

Mas nem só do ecletismo de Alfredo Lage se sustenta o acervo do Museu Mariano Procópio. É que, além de muitas doações, principalmente por parte da Viscondessa de Cavalcanti, o acervo está recheado de influências pessoais, como, por exemplo, da própria mulher de Alfredo, Maria Pardos. Pintora premiada em diversas mostras, Maria Pardos foi aluna de Rodolfo Amoedo (1857-1941), que, como professor da AIBA, influenciou e ensinou dezenas de grandes artistas brasileiros.

Mas a qualidade do acervo do Museu Mariano Procópio também se firma pelos nomes que estão expostos em suas galerias. Pintores como Charles François Daubigny (francês, 1817-1878), do qual o Louvre, em Paris, tem diversas produções; Jean Honoré Fragonard (francês, 1732-1806), importante pintor rococó; e Willen Roelofs (holandês, 1822-1897).

Pinturas
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