
Disparar uma arma de fogo, nos séculos XVII (final) e XIX (até 1830), não era tão simples como hoje. O gesto de apertar o gatilho dos trabucos era antecedido de um verdadeiro ritual. Primeiro, o atirador tinha de colocar o fecho em posição de segurança; depois, pôr a quantidade exata de pólvora do polvorinho dentro do cano, ou introduzir o cartucho; a seguir, calcar a bala, envolvida na bucha ou contida no cartucho, usando a vareta. A operação ainda não estava concluída. O atirador tinha então de pôr mais um pouco de pólvora do polvorinho dentro da caçoleta, que tinha sua tampa fechada. aí era só colocar o fecho na posição e disparar.
Esse tipo de arma, chamada pederneira, representou um grave avanço na produção de armaria de fogo, desde a descoberta da pólvora, na primeira metade do século XIV. E serviu como sucessora dos mosquetes e pistolas usados até então, além das escopetas, bacamartes e revólveres, que só chegaram ao Brasil depois do século XVIII, juntamente com os canhões. Quando os portugueses descobriram o Brasil, os índios já usavam a clava e o arco, assim também como a zarabatana - tudo que, ao ser soprado, expelia setas, às vezes envenenadas. Tomé de Souza, em 1549, também trouxe inovações, através das chamadas armas brancas, o chuço (lança) e o chifarote (espada curta), além das espadas tradicionais. A produção de armas no Brasil só teve início nos tempos de Dom João VI, através de uma oficina localizada na Fortaleza de Santa Cruz, no Rio de Janeiro.
O acervo do Museu Mariano Procópio revela parte da História da armaria no Brasil, através da exposição de armas de fogo, como o trabuco ou bacamarte e os revólveres e fuzis, e as armas brancas. As alabardas, por exemplo, uma espécie de lança utilizada na Idade Média (séculos XIII e XIV), já no século XVII serviam como objeto ornamental no Brasil, durante as cerimônias reais. As espadas, com bainha de prata e punho de marfim, também tiveram seu destaque ornamental na História do Brasil, durante o século XIX, e sempre traziam, na bainha, os símbolos da monarquia.
A ostentação também fazia parte das roupas usadas pelas classes burguesas o Brasil Imperial, e teve como base os modelos europeus. Apesar do calor, os trajes eram compostos por casaca, sobrecasaca e chapéus, por parte dos homens, enquanto as mulheres se apresentavam com vestidos de seda, veludo e renda. E jóias, muitas jóias.
Os uniformes militares não fugiam da influência européia, principalmente a francesa. Até a implantação da República, os uniformes se caracterizavam pelas cores fortes e ornamentos abundantes, como brasões, insígnias e emblemas, e adereços como o capacete da Guarda Imperial de Honra, de latão, prata, couro e crina. A Guarda Imperial foi criada por Dom Pedro I em 1822 e durou até 1831.

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