Parte da História da humanidade está contada em forma de argila, cera, terracota, madeira, pedra, mármore, marfim ou bronze. Estes são os materiais usados freqüentemente nas esculturas que hoje ainda ornamentam palácios, templos, castelos, museus, jardins e até cemitérios. Nos museus atuais, por exemplo, a arte da estatuária revela um pouco dessa História da imaginação, da emoção e do comportamento do homem. E esta revelação começa logo na parte externa do Museu Mariano Procópio, onde algumas estátuas compõem o jardim, as escadarias e até a pérgula da ”Villa“, a residência oficial do fundador do museu. E não poderia deixar de ser assim. Afinal, a mansão possui exatamente o estilo das antigas vilas romanas, onde os cidadãos prósperos e refinados passavam parte do verão, fugindo do forte calor mediterrâneo. Forjando, assim, a integração entre a arte e a natureza.
O acervo do Museu Mariano Procópio, já na sua parte interna, é rico em obras que demonstram a estatuária desde os gregos, com as duas estatuetas de Tanagra. Nesta cidade-necrópole da Grécia antiga, também conhecida como Tânagra, foram encontradas as estatuetas, de terracota, elegantes e produzidas com extrema perfeição. Alfredo Ferreira Lage adquiriu na Europa e no Brasil as obras que compõem a coleção atual. Algumas destas obras são moldes de gesso, e refletem outro tipo de comportamento de época: o uso de estátuas em lápides funerárias, um costume que vem desde o apogeu da arte grega, no século V antes de Cristo. Os moldes de gesso são a segunda etapa do trabalho do escultor, que, antes de chegar à conclusão de sua obra, em mármore ou bronze, faz um esboço em argila.
O Museu Mariano Procópio mantém um acervo de estatuária no qual artistas como os irmãos Henrique e Rodolfo Bernardelli (escultor neoclássico), Claudion, Mercié e os brasileiros José Otávio Correia Lima e Modesto Kanuto, entre outros, são destaques desta modalidade de arte no Brasil e em seus países de origem. Claudion é um exemplo: tem obras expostas em diversos museus do mundo, inclusive o Louvre, em Paris. Assim também como Antonin Mercié (1845-1916), importante escultor neo-renascentista francês, com obras em grandes museus do mundo, como o D'Orsay.
A arte da escultura, no entanto, tem no Brasil Colonial também sua grande manifestação, e no século XVIII sua melhor expressão, através das obras de Antônio Francisco Lisboa (1730-1814), o Aleijadinho, considerado o maior escultor sulamericano. Mas, além de Aleijadinho, outros artistas, muitos deles anônimos, também deixaram importantes exemplos de sua arte. Chamados de ”santeiros“, esses autodidatas da escultura não tinham vínculos com a Igreja, criando obras com características próprias. Seus trabalhos normalmente eram feitos por encomendas: decoravam as igrejas e atendiam os grandes senhores, que gostavam de esbanjar seu dinheiro nos agrados ao poder clerical. Para isso, construíam capelas em suas fazendas, com proporções de igrejas, ou ornamentavam os salões e quartos de dormir com imensos oratórios. Alguns desses exemplos da arte colonial estão em exposição no Museu Mariano Procópio, como símbolos do período em Minas Gerais, e da então nascente arte sacra. Porém, a predominância do acervo é de influência neo-clássica e romântica, própria do imaginário do estado nacional no Brasil Império.

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