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Tampa e Urna Funerária MirancangüeraEstela EgípciaMáscara de sarcófago e estatueta do Deus OsírisLequeLeque

LequeDaguerreótipoCanetas TinteiroInstrumentos de suplícioLiteira de Campo


De Viena a Berlim. Da Europa aos Estados. De Portugal ao Brasil. De São Paulo a Juiz de Fora. Era inevitável.O Mundo respirava os novos ares do capitalismo no século XIX e a industrialização surgia como a sustentação desta nova concepção de vida. E a criação de museus seguiu o rastro deste avanço, como uma espécie de ”suporte visual“ e símbolo do emergente capitalismo. No final do século XIX Juiz de Fora já era considerada, ”em proporção à população, a cidade mais industrial do Brasil“, segundo relatórios da época. Entre os anos 1880 e 1890, os juizforanos já circulavam pelas ruas em bonde de tração animal (1881); falavam pelo telefone (1883); comunicavam-se pelo telégrafo (1884); tinham água encanada em suas casas (1885); e já faziam seus negócios através de agências bancárias do Banco Territorial Mercantil (1887) e do Banco de Crédito Real (1889). E, mais importante ainda, já utilizavam a energia elétrica, através da primeira usina hidrelétrica da América do Sul.

E o crescimento da cidade continuou no início do século XX. Em 1921 eram 107 estabelecimentos industriais na cidade, para uma população que ainda não chegara a 40 mil habitantes. E para compor tanto desenvolvimento era inevitável o surgimento de ”instituições necessárias a seu funcionamento“: a administração pública, os colégios, os hospitais, a cadeia, os cinemas, os teatros. E o museu. Praticamente todas as cidades industrializadas do mundo desaguaram recursos para criação de museus, quase sempre gerados ou por interesses governamentais ou por vocações particulares. Como foi o caso do Museu Mariano Procópio, criado pela vontade, dedicação e disponibilidade financeira de Alfredo Ferreira Lage. Seu projeto de museu enciclopédico, isto é, caracterizado por um acervo generalizado, que revele quase todos os ramos do conhecimento e da História da humanidade, encontrou em Juiz de Fora um excelente ambiente, principalmente em função de sua característica cosmopolita. Afinal, a cidade era um centro urbano desenvolvido, forjado na imigração, com destaque para os alemães, italianos e sírio-libaneses, além dos descendentes portugueses e africanos.

Se, realmente, foi através do acervo de história natural, que Alfredo Ferreira Lage começou a organizar o Museu Mariano Procópio, não há dúvidas também que hoje sua importância está na diversidade de suas peças. Ainda menino, Alfredo estudou anos na Europa, de onde voltou trazendo um certificado de primeira-comunhão e algumas peças para sua coleção de mineralogia. Estava assim iniciado o acervo do futuro Museu, que seria ampliado através de compras de peças não só no Brasil como em outros países, além das doações.São mais de 45 mil peças, entre livros, documentos, indumentária, numismática, armaria, mobiliário, prataria, vidros, cristais, porcelanas, esculturas, pinturas, gravuras, fotografias, arte religiosa, instrumentos de suplício, animais empalhados, invertebrados, minerais e outras categorias, abrangendo desde a Antiguidade até os dias de hoje.

A diversidade do acervo do Museu Mariano Procópio não tem limites. Praticamente todos os ramos da História e do conhecimento estão ali expostos. Desde a cerâmica indígena até peças religiosas da cultura egípcia, passando por leques e instrumentos de suplício da época da escravidão. Tudo é fonte de conhecimento e de curiosidade, de cultura e lazer.

Acervo Geral


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