
No dia 26 de abril de 1821 o Brasil ficou sem sequer um conto de réis. O caixa do Tesouro acabou completamente vazio. É que, nesse dia, Dom João VI, rei de Portugal, voltava a seu país, depois de permanecer exilado desde 1807, quando a família imperial teve de fugir, pouco antes da invasão das tropas franco-espanholas do general francês Jean Junot. Dom Pedro I, que ficou como imperador, determinou então um calote geral, com a suspensão de todos os pagamentos das dívidas imperiais, e autorizou a emissão de dinheiro. Resultado: inflação.
Através do estudo das moedas e das medalhas, ou da numismática, é possível hoje ao colecionador (o numismata) a obtenção de um panorama da História. Para isso são pesquisados vários fatores, que vão desde os aspectos técnicos, como modo, metal e peso em que a moeda ou a medalha foi cunhada, até a determinação do local e época em que circulou. Passando, inclusive, pelos aspectos estéticos das peças, que, em muitos casos, são verdadeiras obras de arte. Em toda a História da economia foram utilizados tipos diversificados de moedas, desde o sal, que servia como pagamento de trabalho (daí a palavra salário) até o açúcar, que em 1614 foi adotado como dinheiro legal no Brasil, por determinação do então governador Constantino Menelau.
A moeda, como se conhece hoje, teve sua trajetória histórica diversificada, dependendo dos povos e das épocas. Para sua fundição já foram usados ouro, prata, cobre, bronze, ferro, chumbo, níquel e alumínio. Cunhadas com as imagens de divindades, vegetais e animais, e as efígies dos governantes - reis, imperadores, presidentes - as moedas vão assim, desde os antigos gregos, contando a História do mundo, e, como se fossem a própria arqueologia do capital, revelando aspectos de épocas e de diferentes sociedades.
O Museu Mariano Procópio possui um importante acervo numismático, graças às doações de Amélia Machado Cavalcanti de Albuquerque (1852-1946), a Viscondessa de Cavalcanti. Estudiosa do assunto, a viscondessa chegou a publicar diversos livros. Sua doação inclui moedas greco-romanas, com a efígie do imperador Júlio César, e exemplares raros das primeiras moedas cunhadas no Brasil, durante a ocupação holandesa em Pernambuco, de 1630 a 1654.
Mas nem só de moedas vive a numismática. As medalhas também fazem parte deste acervo, retratando diversas fases da História do Brasil e do mundo. De qualidade artística superior, as medalhas quase sempre tiveram um trabalho de cunhagem mais requintado, diante de seu caráter comemorativo. Para os estudiosos, medalhas são aquelas emitidas nas comemorações de eventos ou fatos históricos, ou que reproduzam imagens - efígies - de pessoas destacadas na sociedade. Outros tipos de medalhas são as condecorativas, oferecidas por serviços prestados, atos de heroísmo ou aos vencedores de competições esportivas.
Praticamente todos os acontecimentos no Brasil - principalmente nos períodos colonial e imperial - estão retratados em moedas e medalhas. Assim, estão cunhadas em ouro, prata e bronze, desde a aclamação de Dom João VI como rei de Portugal, Brasil e Algarves (1820), até a coroação de Dom Pedro II (1841), passando pela chegada da arquiduquesa da Áustria ao Brasil, dona Leopoldina (1817). Entre as principais condecorações brasileiras estão a Imperial Ordem do Cruzeiro, criada em 1822, na coroação de Dom Pedro I, e a Ordem do Cruzeiro do Sul, de 1932, que homenageia civis, militares e estrangeiros.

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