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11 de Março de 2014 - 06:00

Por WALLACE MATTOS

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Todos iguais

Caros e caras, do fundo mais lamacento da alma humana, da alma brasileira, emergiram na última semana casos de injúrias racistas. Já havíamos tido notícias disso com mais frequência na Europa nos últimos anos, situação infelizmente recorrente, e, mais recentemente, no princípio da Libertadores, quando o volante cruzeirense Tinga sofreu a mesma situação no Peru. Desta vez o tapa dos idiotas na cara de quem tem um mínimo de bom senso não foi em outro continente ou país, mas aqui, no Rio Grande do Sul, contra o árbitro Márcio Chagas, e no interior de São Paulo, tendo como alvo o volante santista Arouca.

São situações inaceitáveis e que expõem uma ferida de nosso país que tem de ser tocada. Tido como país de misturas, o Brasil exibe imagem de nação sem racismo da boca para fora. Enquanto isso, em sua entranhas, pessoas competentes deixam de ser contratadas, não têm acesso a salários melhores, posições de chefia ou mesmo contam com a boa vontade de quem deveria protegê-los, como a polícia, simplesmente pela cor de sua pele. As injúrias racistas são apenas a ponta de um iceberg cravado como um espinho na garganta de quem, como eu, não suporta o racismo velado, o preconceito em sua pior forma. E como o futebol é parte importante da sociedade dessa Ilha de Vera Cruz, o sintoma dessa doença apareceu através dele.

Que usemos essas situações para reexaminar nossas próprias atitudes com relação ao tema. As demonstrações públicas e mobilização nas redes sociais mostram que a sociedade não vai tolerar mais comportamentos como esses. Mas que isso não morra só no marketing ou na revolta atrás do monitor e do teclado. Mudanças na Lei, penalizando mais severamente quem comete uma injúria racista - não confundir com crime de racismo, mas tão horrenda quanto -, são necessárias, mas a mudança maior tem que acontecer em cada um de nós para varrer de vez esse preconceito asqueroso de nosso país. Afinal, como diz a camisa que os jogadores do Tupi usavam quando entraram em campo, diante do Cruzeiro, no último sábado: não importa a cor da pele, por dentro somos todos iguais!

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