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09 de Março de 2014 - 06:00

Por WALLACE MATTOS

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Botti trocou o Figueirense por time do Exército Real da TailândiaARQUIVO PESSOAL
Botti trocou o Figueirense por time do Exército Real da TailândiaARQUIVO PESSOAL

Depois de uma breve escala de dois anos no Brasil, o meia juiz-forano Raphael Botti, 33 anos, embarcou novamente para mais uma aventura no extremo Oriente do planeta. O jogador agora faz parte do elenco do Army United Football Club, equipe do Exército Real Tailandês, sediada em Bangkok, capital da Tailândia, equipe com a qual tem contrato de um ano. Apresentado com destaque na última semana pelo clube asiático, o atleta espera reviver em sua nova agremiação o sucesso conseguido em sua primeira passagem pelo futebol do continente.

Após uma passagem difícil pelo Figueirense nas duas últimas temporadas, Botti estava negociando uma possível ida para a liga norte-americana. Mas recebeu e aceitou a proposta de seu novo clube, que o contatou principalmente por conta de seu sucesso na passagem pelo coreano Jeonbuk Hyundai Motors, de 2002 a 2006. "No início deste ano recebi uma oferta para jogar nos Estados Unidos. Chegando lá, recebi a proposta do Army United que me agradou. Conversei com a família, que topou, e acertei. Estou motivado, jogarei novamente na Ásia, onde fui muito feliz e sou reconhecido pelos títulos que ganhei", conta o jogador, por e-mail, direto de Bangkok.

No quesito competições, Botti, que usará a camisa 10 do Army, terá pela frente a disputa da Primeira Divisão da Toyota Thai Premier League, que é o Campeonato Tailandês, e a competição conhecida como Thai FA Cup, a Copa da Tailândia. Na chegada ao novo clube, o desejo do meia é contribuir com sua bagagem no futebol. "Espero poder dar muitas alegrias ao povo tailandês, principalmente aos torcedores do meu novo clube. Tive a oportunidade de jogar contra um time tailandês aqui em 2006 e aquele ano foi o auge da minha carreira. O sonho de todo time na Ásia é disputar a Asia Champions League, correspondente à Libertadores na América do Sul, torneio do qual fui campeão em 2006. Creio que posso ajudá-los a conquistar esse objetivo com minha experiência", acredita.

Trânsito e churrascaria

O juiz-forano ficou de fora da estreia de seu time na Thai Premier League, no último domingo, quando o Army, jogando em casa, venceu o Bangkok United por 2 a 1, mas deve estar em campo em breve. De acordo com o jogador, por ser vinculado às forças armadas, sua equipe é popular na Tailândia. "Já pude perceber que o time é muito querido por aqui, pois representamos o Exército tailandês. Estou treinando há uma semana e devo estrear em breve", projeta Botti, que pode estar em campo pela primeira vez no duelo com o TOT SC, no próximo domingo, diante de sua torcida. Antes, pela segunda rodada da principal competição do futebol tailandês, seus companheiros terão pela frente hoje o Chainat, fora de seus domínios.

Adaptando-se à vida fora do Brasil novamente, Botti está contente em sua nova casa, destaca uma das características mais marcantes da capital tailandesa e conta com uma ajuda bem conhecida dos brasileiros para se sentir à vontade. "Estou adorando Bangkok. É uma cidade agitada, com um trânsito muito intenso. Consegui achar aqui uma churrascaria brasileira, e disse: 'agora estou em casa'! Estou feliz. É uma grande oportunidade para mim e para minha família mais essa experiência fora do meu país", considera o jogador, casado há 13 anos com Lívia e pai de Jonathas, 9.


Futuro como dirigente do Tupi?

Nos últimos dois anos no Brasil, o meia juiz-forano, que atuou pelo Figueirense, de Santa Catarina, teve adversárias implacáveis: as contusões. Uma série de lesões sofridas nas últimas temporadas impediram uma sequência de Botti com a camisa do Figueira. O local lamenta não ter atuado o tanto quanto gostaria em sua volta à pátria após dez anos de Ásia. "A minha dificuldade de readaptação ao futebol brasileiro foi exclusivamente física. Por ter jogado tanto tempo no exterior, estava acostumado a ter uma base de preparação antes dos campeonatos. Aqui fora são aproximadamente dois meses de pré-temporada. Quando cheguei ao Brasil, após duas semanas de treinamento já estávamos jogando o Estadual. Tive contusões musculares que me atrapalharam", identifica. "Mas foram dois anos muito proveitosos, principalmente por voltar a morar em meu país, perto de minha família. No ano passado, tivemos a felicidade de retornar com o clube para a Série A do Brasileiro. Desta maneira, não foi de todo ruim."

O juiz-forano não se vê mais atuando no futebol brasileiro, mas não descarta um retorno à sua cidade natal. "Tenho um ano de contrato e pretendo jogar mais dois ou três anos, provavelmente fora do Brasil. Depois disso, poderia voltar para o Tupi, por que não? Porém já não seria como jogador. Quem sabe como um dirigente? Quero o sucesso do clube sempre", deseja Botti.

Vitorioso

Raphael José Botti Zacarias Sena começou cedo a desbravar os caminhos da bola. Formado na escolinha de esportes do técnico Sérgio Moraes, aos 13 anos foi aprovado em um teste do Vasco da Gama, no Rio de Janeiro. Jogou por sete anos nas categorias de base do Cruz-Maltino, onde se profissionalizou no ano de 2001, disputando o Campeonato Brasileiro e a Copa Mercosul na equipe da Colina. Em 2002 foi negociado com a Coreia do Sul, então país-sede da Copa do Mundo, para jogar no Jeonbuk Hyundai Motors.

No Jeonbuk Hyundai permaneceu por 5 anos, conquistando vários títulos. Botti foi bicampeão da Korea FA Cup (2003 e 2005), campeão da Korea Super Cup (2004) e conquistou o mais importante torneio interclubes do continente asiático, a Ásia Champions League, em 2006. Isso levou sua equipe a disputar o Mundial Interclubes da FIFA, no Japão, ao final daquela temporada, no qual sua equipe terminou em quinto lugar. No mesmo ano, foi contratado pelo Vissel Kobe, integrante a JLeague, a liga profissional japonesa, clube no qual atuou por cinco anos. Em 2012, Botti voltou ao Brasil para jogar no Figueirense por dois anos e, agora, se lança em um novo desafio no Army United.

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