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22 de Dezembro de 2013 - 07:00

Com equipes de voleibol e handebol entre as melhores do país, Juiz de Fora ainda carece de arenas à altura das principais competições

Por PEDRO BRASIL

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Obras do Ginásio estão paradas há meses
Obras do Ginásio estão paradas há meses

Anseio antigo da comunidade esportiva juiz-forana, o Ginásio Municipal Jornalista Antônio Marcos Nazareth Campos foi projetado para sediar jogos de equipes de vôlei, futsal, basquete e handebol, mas ainda não viu a cor da bola. Sem ele, a UFJF disputa partidas da Superliga, na elite do voleibol nacional, em sua acanhada arena no Campus. A ADJF, heptacampeã mineira de handebol no masculino e no feminino, também tem que usar o equipamento da universidade, ou então a modesta quadra da Secretaria de Esporte e Lazer, em Santa Terezinha. A única perspectiva real de melhora da infraestrutura esportiva para estas e outras modalidades - como basquete, ginástica e artes marciais - está na construção de um novo ginásio na UFJF. O Municipal, cada dia mais, parece um sonho distante.

A obra do Ginásio Antônio Marcos está parada desde novembro de 2012 e já completa seu oitavo aniversário sem perspectivas de encerramento. Projetado para contribuir na formação de atletas e também receber eventos esportivos profissionais, o projeto prevê uma área construída de 6.920m² e capacidade para cerca de 5.500 espectadores. Além da quadra poliesportiva, o espaço contaria com salas de multiuso para cursos de formação e aperfeiçoamento, vestiários com acessibilidade, sala de musculação e de descanso para os atletas.

De acordo com a Secretaria Municipal de Obras da Prefeitura, a fundação e os muros de contenção já estão prontos, assim como parte do trabalho de alvenaria, o que significaria aproximadamente 25% das obras. Faltam ainda a complementação da estrutura, a implementação da cobertura, piso, equipamentos, vedação e acabamento geral do espaço. O custo estimado para a finalização da obra estaria entre R$ 18 milhões e R$ 20 milhões. De acordo com a Prefeitura, caso o recurso federal chegasse imediatamente, o prazo para finalização do complexo esportivo seria de 18 meses.

Segundo o Secretário de Esporte e Lazer da Prefeitura, Francisco Canalli, periodicamente representantes da Prefeitura entram em contato com o Ministério do Esporte para tentar viabilizar a verba. "Hoje não há condições, dentro do orçamento municipal, de arcarmos com toda estrutura do projeto. Estamos tentando conseguir a verba, mesmo que seja de forma parcelada, para retomar as atividades e dar esse importante passo para o esporte na cidade", explicou.

 

Novo centro de iniciação

Enquanto o dinheiro para o Ginásio Municipal não chega, outros locais para a iniciação esportiva na cidade vão sendo projetados. Em dezembro, Juiz de Fora recebeu a sinalização do Governo federal de um aporte de R$ 2,4 milhões para a

construção de um Centro Regional de Treinamento e Iniciação Esportiva. O complexo seria formado por uma quadra poliesportiva coberta, vestiários, academia de ginástica e arquibancada para 195 pessoas. "Ainda não podemos confirmar essa chegada, pois temos que atender os pré-requisitos técnicos, geográficos e sociais do programa. Mas nossa expectativa é que até o dia 30 desse mês já tenhamos a resposta definitiva", explicou Canalli.

Trabalhando de forma independente do Executivo municipal, a UFJF já tem verba assegurada para a construção de um novo ginásio no campus, equipado com vestiários amplos para atletas e árbitros, sala médica, camarotes, sala de massagem, fisioterapia e capacidade para 1.900 espectadores. Juntamente com outras obras na Faculdade - um prédio para ginástica artística, olímpica e artes marciais, e outro edifício voltado ao ensino, com salas de aula e de professores, infocentro e biblioteca -, as obras na UFJF custarão aproximadamente R$ 24 milhões. "O ginásio será utilizado para atividades acadêmicas e, obviamente, também dará um fortalecimento para o vôlei, no sentido de melhorar as acomodações e ter a capacidade (de espectadores) dobrada", afirmou o diretor-técnico da equipe e diretor da Faculdade de Educação Física da UFJF, Maurício Bara.

 

 

 

Vôlei da UFJF foca em crescimento da base

O projeto de ensino, pesquisa e extensão do vôlei da UFJF completa seis anos em 2014 atento às competições e de olho no futuro. "Dois mil e treze foi um ano de muita luta. Para o próximo ano, temos objetivos difíceis. Queremos ficar no G8 da Superliga Masculina e consolidar ainda mais o projeto, com o desenvolvimento do trabalho nas categorias de base e nas atividades acadêmicas", planeja Bara.

Em quadra, Bara divide a temporada 2013 em dois momentos. "Tivemos um primeiro semestre de amadurecimento do time na Superliga. Ganhamos reconhecimento nacional. Fizemos bons jogos, mas não vencemos. E agora (final do ano) tivemos derrotas que não estavam no planejamento, mas temos confiança no elenco e ainda estamos na briga."

Fora de quadra, a amplitude do projeto cresce a cada ano. Em 2013, pela primeira vez a UFJF disputou o Campeonato Mineiro nas categorias mirim e infantil. Já para a próxima temporada, segundo Bara, o planejamento é de estender a disputa para o infanto-juvenil, com atletas de até 18 anos. "Dessa forma, iremos intensificar a formação de jogadores. Quem sabe em dois anos já possamos colocar atletas da base na equipe? Poderemos passar a contratar menos jogadores."

 

ADJF: subindo degraus rumo à elite do handebol

A Associação Desportiva Juiz de Fora (ADJF), heptacampeã mineira de handebol, entidade que não possui sede física - utiliza as instalações do Instituto Vianna Júnior, graças a uma parceria -, aguarda a chegada de 2014 com ansiedade. Diferentemente dos últimos anos, quando conseguia a classificação para competições nacionais em quadra, mas não tinha verba para custear as viagens, para a próxima temporada a equipe já possui patrocínio. "Temos um acordo com a MRS e estamos muito próximos de conseguir com outras empresas, sem falar da nossa antiga parceria com o Vianna Júnior. Teremos um ano de calendário cheio e poderemos disputar as três principais competições do handebol nacional", comemora o presidente da ADJF, Guilherme Facio.

Com a vitória no Campeonato Mineiro, a equipe conquistou o direito de participar de três torneios: o Campeonato Brasileiro, a Copa do Brasil e a Liga Nacional, que reúne as 12 melhores equipes do esporte nacional. Esse último está agendado para começar em março, com previsão de término em agosto, e terá transmissão do canal fechado Sportv. Já o Campeonato Brasileiro acontece em maio, e a Copa do Brasil, em julho. "Acreditamos na perspectiva de alcançar outros patrocínios. Esse ano temos uma agenda cheia, o que permite dar mais visibilidade às empresas que fecharem conosco. É a nossa oportunidade de subir mais um degrau e conseguir nos fixar entre as melhores equipes de handebol do país", destaca Facio.

Um dos fundadores, ex-jogador e ex-presidente da ADJF, atual presidente da Federação Mineira de Handebol, Cláudio Dias, acrescenta que em 2013 a equipe já teve a chance de disputar a Liga Nacional, porém, algumas partidas coincidiram com as finais dos Jogos de Minas. Desta forma, a equipe optou por jogar a competição estadual e se sagrou campeã. Mas, em 2014, além de ter o calendário cheio, outro fator poderá mudar o interesse pela Liga, segundo acredita Dias. "A novidade é que, nesse ano, a Liga terá dois patrocinadores fortes (Correios e Banco do Brasil), que irão pagar a hospedagem, alimentação e transporte. Dessa forma, todos vão querer participar."

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