Muita seca
O negócio é a crise criativa, essa desgraça. O cara olha praquele espaço vago, aquele pedação de campo doidinho para ser ocupado que nem égua no cio, e simplesmente não sabe o que fazer. Tropeça nas próprias pernas e perde a oportunidade. Ou vira de lado e se livra da bola. A coisa anda feia.
Paulo Henrique Ganso, grande revelação do Santos, gênio da bola, novo Pelé, aquele que poderia ter salvado o time de Dunga na Copa de 2010, foi para o São Paulo e estreou na Libertadores da América no banco de reservas ontem. Na real, joga com o nome desde 2010. Alexandre Pato, contratado a peso de ouro pelo Corinthians, é promessa até hoje, aos 23 anos de idade, e ninguém sabe ao certo o que pode render no Parque São Jorge. Pelo menos já fez seu pé de meia com o Silvio Berlusconi.
A situação é tão braba que um senhor quem? como o tal do Carlos Eduardo vem do Rubin Kazan, dos cafundós da República Autônoma da Tartária, e pode escolher entre Santos, Fluminense, Flamengo e Internacional. Pode queimar a minha língua, e tomara que queime, mas tem que estar muito na seca pra dar essa moral toda pra um moço que jogou 13 partidas e marcou dois gols nos últimos dois anos e meio.
Também, em tempos em que 90% dos melhores filmes são biografias ou adaptações literárias, que 80% do que se ouve no rádio é lixo que vem na descarga das latrinas do primeiro mundo e que você só sai de casa para ver bandas tocando cover, por que deveríamos esperar algo melhor justamente do futebol?



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