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24 de Dezembro de 2013 - 07:00

Por WENDELL GUIDUCCI

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Trégua de Natal

Como a vida nos ensina cotidianamente desde o momento em que somos despejados dos ventres das nossas mães, como Jesus de Nazaré também foi há mais ou menos 2013 anos, há verdades e verdades. E entre elas há um tipo de verdade que não tem muito a ver com a exatidão dos fatos, diz mais respeito à força de uma narrativa, de uma história, de uma lenda. Há verdade nas lendas. E há uma específica que convém lembrar aqui, porque parece adequada ao momento. Diz respeito a um jogo de futebol que teria acontecido no dia de Natal de 1914, em um campo de batalha na Bélgica, entre soldados britânicos e alemães.

Embora o evento seja controverso à luz da história, há relatos suficientes que sugerem que a tal partida realmente aconteceu. Uma trégua de fato ocorreu naquele inverno de 1914, quando a Primeira Guerra Mundial riscava suas primeiras cicatrizes na face já carcomida da velha Europa. Em alguns locais, o cessar-fogo teria durado apenas o dia do Natal. Em outros, até 1º de janeiro.

O que alguns contam é que, em Wulverghem, na Bélgica, onde o exército da Inglaterra vinha combatendo as forças germânicas, um soldado alemão surgiu das trincheiras no dia de Natal, com as mãos para cima. Os ingleses então caminharam até ele, e outros militares de lado a lado se juntaram numa espécie de antítese bélica. Fardados, trocaram cigarros, canivetes, tranqueiras diversas e, no meio daquela improvável confraternização, surgiu uma bola de futebol, talvez vinda do lado alemão. Eles então se organizaram e disputaram uma partida, sem juiz e sem violência, uma autêntica pelada lamacenta sob o céu carregado de pólvora da Europa de dezembro de 1914. Uns dizem que nem placar eles contaram. Outros contam que os alemães venceram por 3 a 2.

Mas pouco importa saber.

Naquele lendário jogo de bola disputado entre rolos de arame farpado e fuzis repousados, alemães e britânicos, metidos em seus coturnos, viveram o futebol não como confronto, mas como reunião.

Esta é uma verdade na qual eu gosto de acreditar.

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