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03 de Abril de 2014 - 06:00

Por WENDELL GUIDUCCI

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Caso de polícia

No último final de semana, o resultado do primeiro jogo da final do Campeonato Gaúcho, entre - adivinhe - Grêmio e Internacional, na casa do time tricolor, ficou em segundo plano. Outra vez, um jogador negro afirma ter ouvido insultos racistas vindos da arquibancada. A vítima, o zagueiro colorado Paulão, se recusou a prestar queixa na polícia. A Justiça Desportiva do Rio Grande do Sul, por sua vez, decidiu oferecer denúncia contra o Grêmio. E é aí que a porca torce o rabo. Que raios o Grêmio tem a ver com um maníaco que vai ao estádio para ficar imitando macaco, em vez de ir fazê-lo no teatro ou no diabo que o carregue?

Racismo (ou injúria racial, como diz lá o Código Penal) em estádio de futebol não é assunto para justiça desportiva - assim, com minúscula mesmo. É caso de polícia, como bem percebeu o Ministério Público, que pediu abertura de inquérito policial no caso de Paulão. Ora, o estado - assim, com minúscula mesmo - não pode simplesmente querer que isso se resolva no campo do esporte.

Vejamos o caso do Tinga. Multa de R$ 27 mil ao Real Garcilaso porque uns peruanos doidos xingaram o brasileiro de macaco. Teve gente que achou pouco, eu acho é muito e foi o Tinga quem manifestou o pensamento mais cristalino: "Queria que fosse uma punição com uma repercussão social, que o clube tivesse que fazer algum projeto social para conscientizar os torcedores sobre a importância de combater o racismo".

E eu completo, Tinga: além das medidas socioeducativas, uma dura dos hôme faria bem aos valentões. Mas aí foge à alçada da justiça desportiva, que mal consegue amarrar seu próprios sapatos. Logo, uma demonstração de empenho por parte dos poderes constituídos, que também não vão lá muito bem das pernas, com a identificação e punição exemplar dos racistas uniformizados, seria muito bem-vinda, obrigado.

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