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17 de Abril de 2014 - 06:00

Por WENDELL GUIDUCCI

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Atrasado e aflito

Há menos de dois meses do início da Copa do Mundo, o Brasil ainda tem estádios que sequer foram testados com gente e jogadores dentro.

Há menos de duas semanas do início do Campeonato Brasileiro da Série C, o torcedor não sabe quais são os times que participarão da disputa.

Há menos de uma semana do início do Campeonato Brasileiro, o torcedor não sabe se o torneio terá 20 ou 21 times.

Se era para dar um exemplo de brasilidade ao mundo neste ano em que os holofotes globais estarão voltados para cá, estamos de parabéns. Somos imbatíveis no quesito vou dar uma atrasadinha de dez minutos, um dia, um mês, um ano, fica pra próxima.

Em 30 de outubro de 2007, quando a Fifa anunciou o Brasil como sede do Mundial de 2014, ninguém protestou.

Quando os estádios começaram a ser reformados ou construídos, ninguém protestou.

Quando percebemos, há três, quatro anos, que não teríamos nem aeroportos nem estradas nem segurança nem nada do que nos foi prometido como legado, ninguém protestou.

Agora, às vésperas do baile, estamos planejando manifestações nas portas dos estádios. Protestos mais que legítimos, só que atrasados e infrutíferos, porque não vão mudar a realidade: perdemos uma grande oportunidade de crescer em infraestrutura, em qualidade de vida, em cidadania. Quando fomos despertados da nossa inércia tropical pelo Movimento Passe Livre em junho de 2013, já havíamos perdido o bonde. Pelo menos o bonde da Copa.

Mas vamos lá mostrar nossa insatisfação. E também que continuamos o país do futuro.

A terra do antes tarde do que nunca.

Um bom slogan para substituir o sofisma escrito na bandeira nacional.

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