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29 de Maio de 2014 - 06:00

Por LUCIANE FAQUINI

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Quanto vale a Copa?

 

R$ 25, 8 milhões. É quanto a Copa do Mundo vai custar, em gastos e empréstimos, aos cofres do Governo federal, dos estados e dos municípios. Dinheiro que, em grande parte, eu, você e demais cidadãos vamos bancar com o nosso trabalho. Uma quantia que, segundo a "Folha de S. Paulo", daria para bancar todas as despesas com educação no Brasil por um mês. Pouco, para quem vê a Copa como um legado para as futuras gerações, que se beneficiarão do investimento que foi feito para melhoria de estádios, aeroportos e infraestrutura. Muito, para quem vive com um salário de R$ 724, depende da saúde custeada pelo SUS e de escolas públicas. E muitíssimo, para quem ainda sofre com emprego precário, transporte público de quinta categoria e violência diária na porta de casa. Tudo depende do ponto de vista ou do tamanho do bolso.

Mas os números da competição impressionam. Em um mês, o país vai abrigar 32 seleções, 736 jogadores e três milhões de torcedores nos estádios. Serão 64 partidas em 12 arenas, espalhadas pelas cinco regiões do país. Entre estrangeiros, são esperados 300 mil turistas. A renda da Fifa vai ultrapassar a marca de US$ 4 bilhões. A seleção vencedora levará US$ 35 milhões, e os patrocinadores terão expansão bilionária em suas receitas. É diante dessas cifras estratosféricas que manifestantes prometem fazer do próximo mês um junho vermelho. Já nesta semana, ao se reunir para iniciar os treinamentos, ao invés dos gritos de fãs e bandeiras verdes e amarelas, os jogadores ouviram e viram palavras de ordem e etiquetaços.

Nunca se viu um clima tão diferente em véspera de Copa. Nos bairros, poucos se dispuseram a colorir ruas e calçadas. Tirando a febre dos álbuns de figurinha, todos os souvenires parecem encalhar nas prateleiras. Outro dia, numa loja, ouvi de um consumidor incrédulo diante do preço de uma dúzia de Fulecos: "Será que eles estão acreditando que vai vender isso tudo?"Não tenho respostas, apenas muitas outras perguntas. Será que o brasileiro irá, de fato, reagir à mercantilização do futebol e lutar por mudanças na condução do país? Ou, por outro lado: por que não protestaram contra a Copa em 2007, quando o Brasil entrou na lista dos candidatos para sediar o evento? Aliás, por que também não repudiar a ganância dos cartolas do futebol brasileiro?

O certo é que algo mudou. O cidadão parece estar mais preocupado com a prestação da casa própria, a escola dos filhos e as contas do fim do mês. É fato que estamos em ano eleitoral, e isso ajuda, e muito, a aumentar a pressão junto à artilharia do voto. Tudo parece confluir. Longe de mim, entretanto, buscar a quadratura do círculo. Deixa a bola rolar. Quem quiser protestar, que vá para a rua. Quem quiser festejar, que vá para as ruas. Acho legítimas e necessárias as manifestações. Da minha parte, estarei torcendo pela Seleção Brasileira e sonhando com o número mais importante dessa disputa: o do hexa, o hexacampeonato.

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