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06 de Julho de 2014 - 06:00

Por Tribuna

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Neymar está fora da Copa e não há tempo para se lamentar. Na próxima terça-feira, o Brasil tem pela frente o mais difícil de seus adversários, a melhor seleção em ação na Copa do Mundo, e pensar como seria bom ter a Joia da Vila Belmiro em campo é desperdício de energia. Os alemães, os simpáticos alemães cujo futebol eu admiro desde a África do Sul, que vestem camisa do meu time, que cantam hino do Bahia, que dançam o pavoroso lepo lepo, que se enrolam na bandeira do Brasil, que vibraram com as defesas de Julio Cesar na batalha contra o Chile, que curtiram Santa Cruz Cabrália como se fossem catarinenses, os alemães não terão pena de um time cabisbaixo pela ausência de seu melhor jogador. Serão, como lhes cabe ser, implacáveis. Então é hora de decidir: é a Copa do Neymar ou a Copa do Brasil?

Para um grupo de jogadores sempre colocados na retaguarda, protegidos sob a sombra de um genuíno craque de gosto duvidoso para cortes de cabelo, a lesão de Neymar é uma oportunidade. Para a Seleção Brasileira, que nem em tempos de Pelé viveu somente da performance de um único jogador, é a chance de mostrar que o atual plantel é um grupo de homens valorosos, capaz de vencer adversidades e que, como um time, sabe que não pode depositar em um único atleta todas as esperanças de sucesso. Nesses tempos de individualismos, da constante tentativa de personalização de tudo, da fabricação de heróis, da busca por culpados com que se estampem capas de jornais, os 22 atletas que restaram em condições de jogo, e mesmo Neymar de dentro de sua cinta ortopédica, têm a sorte de poder mostrar de que material são feitos enquanto time.

(E nós, de repente, nos lembramos que futebol é coletivo e que ninguém entra em campo sozinho neste esporte.)

O jogo contra a Alemanha seria difícil com ou sem Neymar. Se perder para o time de Özil, Müller, Hummels, Klose, Götze, Khedira, Neuer, não será porque não tinha Neymar. Será porque perdeu para a melhor seleção que veio para a Copa do Mundo. Porém, se vencer, será uma colossal demonstração de superação. Superação da ausência de Neymar, claro, porque um extraordinário sempre fará falta a qualquer time. Mas sobretudo de superação de suas próprias limitações enquanto equipe. Os jogadores do Brasil têm a oportunidade de provar para si mesmos que, mesmo tendo um time técnica e taticamente inferior ao da Alemanha, podem vencer.

Neste ponto, a lesão de Neymar poderá não mais representar ausência.

Poderá se consolidar como presença.

Presença de espírito.

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