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15 de Maio de 2014 - 07:00

Por Hélio Rocha

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Na Fórmula 1, a Mercedes de 2014 ocupa o mesmo lugar da Red Bull de Sebastian Vettel, que reinou entre 2010 e 2013, que, por sua vez, assumiu o posto hegemônico da Brawn GP, que deu o título a Jenson Button 2009. Anos antes, a Renault de Fernando Alonso dominou a categoria em 2005 e 2006, sucedendo os cinco anos ininterruptos de títulos fáceis conquistados por Michael Schumacher na Ferrari, entre 2000 e 2004. O curto interlúdio de equilíbrio, nas temporadas de 2007 e 2008, revela o quanto a categoria máxima do automobilismo convive com ciclos enfadonhos de domínios de um equipamento, muito mais do que de um piloto. Isto porque o mesmo Vettel que dava as cartas, até o ano passado, este ano é um figurante dentro de sua própria equipe, ao passo que Hamilton, coadjuvante após seu título mundial contra Massa, em 2008, domina as corridas e surge na Mercedes como favorito ao título.

Os gestores da F-1 a cada ano se desdobram para tornar o esporte mais competitivo, alterando regras, criando mecanismos de ultrapassagem, malogrando a cada tentativa. Muitas vezes isto não resulta na quebra da hegemonia e apenas faz com que ela mude de mãos. O problema da F-1, na verdade, passa pela disparidade de orçamento das equipes menores para dois ou três times com bastante lastro no capital financeiro, que faz girar a roda de um esporte de cifras multi-miliotárias. Quem dispõe do aporte financeiro de uma Mercedes-Benz ou uma Red Bull, pode testar mais os carros sob novas regras em seus laboratórios, que por sua vez são mais modernos e contam com melhores profissionais. O número de possíveis campeões fica limitado a dois ou três times, seis pilotos, e quem encontra a melhor solução a cada alteração no regulamento sai na frente de modo a não ser mais alcançado.

Domínios sempre pode haver. Eles existem no futebol, no tênis, no basquete, qualquer esporte. O problema dos ciclos de domínio tão frequentes na F-1, no entanto, sustenta-se nas poucas oportunidades concedidas a oito das onze equipes do mundial. A solução seria o teto orçamentário, tal qual é feito no automobilismo americano, que convive com problemas técnicos, mas é exemplar em competitividade.

*Wendell Guiducci volta a escrever neste espaço em junho

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