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05 de Junho de 2014 - 08:43

Por Wendell Guiducci - Editor

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Estamos a uma semana da Copa no Brasil, a Copa das Copas, a Copa do Neymar, a Copa da Redenção do Maracanazo, a Copa de Deus-Me-Livre-De-Messi-E-Cristiano-Ronaldo-E-Xavi-Iniesta, a Copa dos Desditos, a Copa de Jérôme Valcke, a Copa do Legado Mais ou Menos, a Copa das Manifestações. Tudo isso é verdade, e tudo isso é legítimo. Mas o componente esportivo tende a prevalecer com relação ao sócio-político. Apesar dos pesares, que não são poucos, como numa comédia xarope, no fim vai dar tudo certo.

O pessoal pode não ter celular funcionando em alguns estádios, mas vai fazer festa assim mesmo nas arquibancadas. Os cambistas podem tentar (muitos conseguirão) faturar o seu como de hábito, e encontrarão clientes ávidos por um bilhete qualquer para Rússia x Bélgica. Nenhum estádio vai ter arquibancada despencando, os jogos começarão na hora e teremos espetáculos esportivos memoráveis onde mais interessa, no gramado.

O turista vai sofrer pra diabo com nosso trânsito caótico, mas também vai conhecer pão de queijo, beber caipirinha e, eventualmente, sucumbir ao azeite de dendê. E será muito bem-recebido pelos comerciantes, pelos torcedores brasileiros e também por alguns aproveitadores, pois tudo isso fazemos muito bem. Outros azarados, poucos, serão assaltados, quem sabe até em inglês, mas a imagem do Brasil no exterior não sofrerá nenhum arranhão que já não lhe caracterize a face verde-amarela.

Quanto às manifestações, se existirem, que não sejam reprimidas com truculência. Quem sabe aí até poderemos mostrar ao resto do mundo, mas principalmente para nós mesmos, a civilidade de uma nação democrática que sabe conviver com as diferenças e lidar com a insatisfação popular, ainda que ela venha atrasada. Mas que sejam manifestações legítimas. Que não seja apenas a Festa dos Protestos pegando carona na Festa da Bola. Um carnaval por ano já é mais que suficiente.

Mas, sobretudo, é desejável que as demonstrações de cidadania não arrefeçam depois de 13 de julho. Aí sim, ficaria muito feio para o Brasil. Porque todos sabemos que tem muita conta que não está fechando nessa recepção de gala oferecida ao povos irmãos e, por mais extasiados que estejamos ao fim da festa, é preciso cobrar do anfitrião tão logo o último convidado deixe o recinto.

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