Fora da ordem
Calcula-se que pelo menos 10% dos cerca de 16,2 milhões de assinantes de TV paga no Brasil acompanham os campeonatos estaduais. Parte dessa turma e outra meia dúzia presente no Engenhão na última quinta-feira tiveram a oportunidade de acompanhar o clássico Flamengo x Vasco. Talvez para tão seleto grupo, nada mudou ao longo dos anos no futebol brasileiro além do conforto dos novos estádios e da comodidade de acompanhar tudo de casa. São os benefícios da modernidade.
Para a grande maioria dos torcedores, no entanto, a coisa desandou. Mesmo com cada vez mais entrevistados respondendo às polêmicas entrevistas sobre seu time do coração, é cada vez menor o número de pagantes nos estádios. Encontrar com camisas antigas nas incursões pelo interior do país está cada vez mais difícil. Até a bandidagem deixou de usar uniformes de clubes de futebol em suas ações, invariavelmente, frustradas. Flamengo e Vasco não rendem mais nem discussão de boteco.
Imaginar que um certo Rafinha foi o nome do clássico dos milhões no Rio de Janeiro é mesmo sinal dos tempos. Por aqui, teve torcedor do Tupi comemorando a rescisão do atacante Allan como o maior feito do time na fase de contratações. Em Belo Horizonte, a grande novidade é a volta do clássico com duas torcidas. Embora complicado de entender, se trata, necessariamente, de uma partida de futebol com torcedores dos dois clubes nas arquibancadas.
Se a mudança em curso é para melhor ou pior, isso vai da miopia de cada um. Certo, por ora, é que alguma coisa está fora da ordem. Mesmo na política, onde tudo parece ontem, teve ter algo acontecendo. É repulsivo ter que se convencer de que o Renan Calheiros vencerá sempre. Talvez o bater de asas de uma borboleta tenha ocorrido, e o tufão seja apenas uma questão de tempo.



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