Pelo menos em tese, a partir de agora, o eleitor terá o direito de escolher candidatos com o passado limpo. Como ensinou o ministro Ayres Brito, vivíamos um contrassenso, afinal, o termo "candidato" tem origem na palavra "cândido", que significa puro, limpo. Candidatura, segundo o magistrado, significa pureza ética. Se foi dado um importante passo na seara política com a validação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da Lei da Ficha Limpa, nos meandros do futebol a coisa vai de mal a pior. A reboque da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016, desvenda-se um imenso lamaçal nos bastidores do esporte brasileiro.
A crise do momento envolve, mais uma vez, o quase eterno presidente da CBF, agora à frente do Comitê Organizador Local da Copa de 2014 (COL), Ricardo Teixeira. Documentos publicados pelo jornal "Folha de São Paulo", nesta semana, ligam o dirigente maior do futebol brasileiro à empresa investigada por superfaturar um amistoso entre Brasil e Portugal, no Distrito Federal, em 2008. Ricardo Teixeira nega, mas não explica a relação para lá de suspeita.
Tampouco ele consegue justificar os R$ 88.070,04 mensais pagos pela CBF até bem pouco tempo ao seu tio, Marco Antonio Teixeira, que apenas figurava como secretário-geral da entidade. O mais triste, embora esperado, foi a postura de Ronaldo "Fenômeno", que saiu em defesa do dirigente e padrinho. "Foi o cara que trouxe a Copa do Mundo para o Brasil, e a gente deve muito disso a ele", disse Ronaldo, que, aliás, é candidato, ou seja, portador de pureza ética, a suceder Ricardo Teixeira na presidência do COL.
A paternidade do projeto da Copa de 2014 no Brasil, atribuída por Ronaldo a Ricardo Teixeira, ainda deve render polêmicas, como direito até a programa televisivo com teste de DNA. Isso, claro, se o filho ficar mesmo tão bonito quanto se pinta. Mas basta observar a dinheirama envolvida no evento para saber que, na verdade, a Copa de 2014 não tem pai, mas mãe: a nossa economia. Ao Ronaldo caberia até a arrogante explicação dos democratas após a vitória de Bill Clinton sobre George Bush pai em 1992: "É a economia, idiota!".



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