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09 de Fevereiro de 2013 - 07:00

Por RICARDO MIRANDA

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Personagem de primeira grandeza de Machado de Assis, José Dias tinha certa afeição pelos superlativos. "Era um modo de dar feição monumental às ideias", justiçava o autor de "Dom Casmurro". Essa vontade de grandeza, apropriada por personalidades políticas e cronistas esportivos, acaba, invariavelmente, sendo um bom artifício retórico. É aquela história de ser do Brasil o maior rio em volume d'água do mundo, o melhor jogador de futebol do planeta e o maior bloco de carnaval que se tem notícia no universo. Recentemente, venderam caro para os mineiros a história de o Mineirão ter se tornado o estádio mais moderno da Copa do Mundo de 2014. As obras consumiram R$ 665 milhões e 1.060 dias de trabalho pesado.

O novo "Gigante da Pampulha", como preferem os machadianos da imprensa da capital, foi inaugurado com pompa e circunstância, como manda o figurino. A bola, no entanto, só rolou no último final de semana, no clássico entre Cruzeiro e Atlético. Cerca de 60 mil pessoas prestigiaram o evento, a maioria mais interessada em marcar presença na histórica partida inaugural do que no futebol apresentado que, por sinal, não foi de todo ruim. Não esperavam os cruzeirenses e atleticanos presentes no moderníssimo estádio que a história não houvesse sido bem contada. Com sede e esfomeados, muitos decepcionados não esperaram sequer para ver o segundo tempo do jogo. Prevaleceu a lógica do quanto mais alto é o voo, maior é o tombo.

E foi grandíssimo tombo. Um dia após a fatídica tarde do último domingo, o governador Antonio Anastasia se viu obrigado a multar a empresa responsável pelo estádio em R$ 1 milhão. Mas o estrago havia sido feito. Todos os noticiários trataram do fiasco mineiro em suas edições ao longo da semana. Chegaram a colocar em risco os jogos da Copa das Confederações, que serão realizados ainda este ano no Mineirão. Não é para tanto, mas ficou feio para Minas. De nada adiantou a corrida para se ter o primeiro estádio concluído. Tivessem mantido a tradição da discrição dos mineiros, talvez erros tão grosseiros fossem evitados. Como ensinou Fernanda Montenegro, não se deve preocupar em ser vanguarda, tampouco evitar a retaguarda, é preciso, sim, estar sempre em guarda.

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