Talvez por desconhecer o rico folclore do futebol brasileiro, o holandês Seedorf tem feito algumas indagações pertinentes. São pequenas coisas invisíveis aos olhos viciados dos nativos, mas com algum sentido quando observadas de perto. Ele não entende, por exemplo, porque a rivalidade dos clubes nos campeonatos estaduais é mais ferrenha do que no Campeonato Brasileiro. De fato, é difícil imaginar qual motivo faz cruzeirenses e atleticanos, cada qual com algumas dúzias de títulos, valorizarem tanto o Campeonato Mineiro.
Mesmo no Rio de Janeiro ou em São Paulo, onde há mais times disputando a Série A do Campeonato Brasileiro, a empolgação com os estaduais é injustificável, principalmente nas fases classificatórias. Isso quando os regionais não acabam dividindo a audiência com competições ainda maiores, com a Libertadores da América e a Copa do Brasil. Nesses casos, entram em campo os chamados times "B". Ainda assim, se o time "B" do Atlético for jogar com o Cruzeiro, a mobilização é a mesma.
Mas voltando às indagações do Seedorf, sua principal questão é com relação à ausência de torcedores na maioria dos jogos. Nem mesmo o aquecimento da economia com a chegada de milhões de torcedores à classe média mudou a realidade das arquibancadas nos últimos anos. Exceção ao Corinthians e ao Santa Cruz, os demais jogam mais para as lentes da Rede Globo e seus milionários contratos televisivos do que para o olhar apaixonado do torcedor que vai aos estádios.
O problema, respondia assim um comentarista no rádio, é que, mesmo nos bons tempos atuais, o salário não chega ao fim do mês. Com jogos na quarta-feira e no domingo, então, só dura uma semana. Acrescentaria ainda que o crédito que era farto hoje já está mais complicado. Quanto à competitividade dos estaduais, o mesmo comentarista enumerou uma série de razoáveis motivos, aos quais somaria apenas o fato de, independentemente da qualidade do time, Cruzeiro e Atlético, Grêmio e Internacional, além dos quartetos do Rio de Janeiro e de São Paulo, serão sempre favoritos nas disputas em seus quintais.



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