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05 de Janeiro de 2014 - 07:00

Entrevista/Wilson Gottardo, técnico do Tupi

Por WALLACE MATTOS

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A preparação do Tupi para a estreia no Campeonato Mineiro chegou a sua metade. Reunido desde o dia 12 de dezembro, o reformulado elenco carijó se dedica aos treinos desde então sob o comando do ex-zagueiro Wilson Gottardo, 50 anos, com passagens vitoriosas como atleta por Flamengo, Botafogo e Cruzeiro. Depois de utilizar os primeiros dias como técnico do clube juiz-forano para observar e conhecer melhor as características de seus comandados, o treinador agora quer dar uma cara a seu time para entrar com força no Estadual.

Com a filosofia baseada no jogo coletivo e querendo implementar variações táticas que permitam ao Carijó surpreender seus oponentes, Gottardo buscará dar padrão à equipe e, ao mesmo tempo, liberdade para que seus jogadores desenvolvam seu melhor futebol. Nessa entrevista exclusiva à Tribuna, o técnico destaca a importância dos amistosos desta semana contra o Friburguense - no dia 7 de janeiro, em Juiz de Fora, e no dia 12 do mesmo mês, em Santana de Cataguases - para a avaliação e lapidação de seu elenco.

O treinador também revela como quer ver seus comandados atuando desde o início do Estadual, competição que, por conta da natureza efêmera do futebol, considera primordial em sua temporada à frente do Alvinegro de Santa Terezinha. Além disso, Gottardo projeta a estreia no Mineiro, dia 26 de janeiro, às 19h30, contra o América-MG, no Independência, em Belo Horizonte, traça o objetivo do clube local na competição, garante que sua equipe está sendo moldada para entrar com força no torneio e que os torcedores irão reconhecer nela características suas dos tempos de zagueiro.

- Tribuna: Com esses primeiros 20 dias de trabalho e faltando praticamente outros 20 para a estreia contra o América-MG, como você avalia o atual estágio de evolução do Tupi sob seu comando?

- Wilson Gottardo: Efetivamente não posso dizer que foram 20 dias bons de treino. Não foram. Temos uma dificuldade em local para treinamento. Precisamos ter nosso campo de mando (o Estádio Municipal) à disposição para que possamos preparar a equipe, adaptando os jogadores - pois muitos não atuaram lá ainda - e tornando ele um de nossos trunfos no Estadual. Estamos pedindo, e aproveito para reforçar isso, a sensibilidade de quem é responsável pelo local para que olhe com carinho e possamos tê-lo liberado para treinos, fazendo dele nossa casa efetiva e podermos tirar vantagem disso diante dos adversários. Mas mesmo com percalços e dificuldades, sempre estivemos presentes com conversas até mesmo para acertar o lado mental. Agora temos outros 20 dias para desenvolvermos a parte tática, a confiança dos atletas em jogar e desenvolver seu futebol, paralelamente com a evolução técnica e física. Tudo isso contando com os amistosos para avaliar.

- De que maneira você quer ver o Tupi atuando sob seu comando neste Estadual?

- Como ex-defensor, gosto muito de atacar. Mas minha equipe tem que estar bem postada, ter função em campo. Os atacantes devem estar bem posicionados para facilitar a ação do meio de campo e, consequentemente, da linha de zagueiros. Não deve existir nada solto, nada somente individual. A individualidade é a cereja do bolo. É aquela pérola que vai acontecer e, de repente, decidir, mas o coletivo para mim é fundamental, pois sem ele não há condições de isso se dar.

- Como você projeta a estreia no Mineiro? O que buscar em um primeiro jogo fora de casa, contra uma das forças do futebol em Minas?

- Toda estreia tem uma emoção maior. São jogadores novos, treinador novo, minha primeira passagem pelo Tupi. Então acho que o fundamental não é o placar e sim como a nossa equipe vai jogar. Ele será construído em cima daquilo que apresentarmos lá. Lógico que quero jogar pela vitória, claro que não quero perder, mas o fundamental é ter uma equipe consciente do que vai fazer, administrando a pressão do adversário, sabendo defender e ter reação, assim como em uma luta de boxe. O América já modificou seu plantel. O Silas (técnico do Coelho) é um treinador da linha mais moderna, que gosta de estudar seu adversário. Eu também gosto e farei muito isso antes desse confronto. Mas minha preocupação primeira é minha equipe. Depois penso no adversário. Temos que estar no nosso melhor pois, consequentemente, conseguiremos anular ou minimizar o ímpeto e a qualidade de jogo do adversário. É isso que pretendo fazer. Nosso time não estará no estágio ideal, isso só acontecerá ao longo da competição, mas quero um time bastante competitivo já desde o primeiro jogo do Campeonato Mineiro.

- Dentro da preparação para a estreia no Campeonato Mineiro, nessa semana estão previstos dois confrontos com o Friburguense. Qual será a importância desses testes para o Carijó?

- Os amistosos são a forma de confirmarmos o que estamos trabalhando no nosso dia a dia. Diariamente, só quem vem aos treinos sabe nossas dificuldades e facilidades, e nos jogos-treino colocamos isso tudo à prova. A ideia é jogar sempre para vencer, independentemente se está valendo ou não. É isso que vamos buscar. Ainda quero descobrir algumas coisas interessantes, com aquilo que posso eliminar, minimizando os erros, e acrescentando outros elementos ao time. Também estaremos seguindo o trabalho de avaliação dos atletas. Quero criar um sistema de jogo com variações entre dois ou três esquemas, mudando de jogo para jogo ou até mesmo durante a partida. Posso fazer um 4-4-2, um 4-5-1, variando para um 4-1-4-1. São números que muita gente acha que não são interessantes, mas é porque você trabalha a mente do atleta, criando funções ofensivas e defensivas para ele, além de mostrar as transições entre as situações dinâmicas do futebol. Nesses amistosos vamos trabalhar isso, as variações táticas. Quero ver também no atleta a paixão pela carreira, e é nos jogos que costumamos observar mais isso.

- Esses testes serão os últimos antes do Estadual ou você ainda quer mais alguma prova para sua equipe antes da estreia?

- Quero pelo menos mais um teste antes do primeiro jogo. O ideal é que seja a uma semana do confronto com o América-MG. Ainda não há nada acertado, mas tínhamos alguns bons contatos com o pessoal do Rio de Janeiro, equipes como Duque de Caxias, Nova Iguaçu e Bangu. Seria um último teste para fechar essa preparação para a estreia, com o time bem na parte física e já assimilando as funções a ele estabelecidas na parte tática.

- O que buscará o Tupi nessa edição do Campeonato Mineiro?

- O clube terá um ano cheio. E às vezes as pessoas falam: 'temos um calendário cheio, vamos fazer um trabalho a médio e longo prazo'. Para mim, não. Para mim, é curtíssimo prazo. Quero viver o Campeonato Mineiro. Não sei o dia de amanhã. Não sei se vou estar aqui para o Brasileiro, não sei o que vai acontecer com esses atletas, se eles estarão aqui também ou se novos virão. É assim que é a vida no futebol. Então, quero intensificar minha vida no Estadual, atualmente o mais importante. Depois tem a Copa, com um intervalo, um giro do mercado, tudo isso vai acontecer, mas é importante quem está aqui agora fazer o melhor. Buscaremos isso. Se chegarmos às semifinais, é sinal de que fizemos coisas boas. Treinamos correto, ajustamos bem e tivemos um pouco de sorte. A meta é sempre essa, respeitando os outros oponentes - e temos grandes times em Minas: brigar pelas primeiras colocações.

- Quais características do Gottardo jogador o torcedor do Tupi verá em campo em sua equipe?

- A busca incessante do jogar. Nunca nos acomodaremos, seja com qual for o resultado, durante os 90 minutos. Principalmente isso, a entrega. Cobro muito isso dos atletas, e eles já sabem disso. Meu estilo é direto, não tem voltinhas, não tem ponto fora da curva. Isso encurta o tempo de aprendizado deles e acelera sua maturidade como profissionais. Sou aberto ao diálogo, sempre, mas não abro mão do profissionalismo. Quero que eles sejam intensos tanto nos treinos, como têm sido, como nos jogos.

- O Carijó entra forte nesse Campeonato Mineiro?

- Estamos preparando o Tupi para jogar forte nesse Estadual. Muitos vão até dizer que não tem tanto brilho, tanta plástica, mas o que quero é o conjunto. É nesse aspecto que vamos criar essa fortaleza. Desta forma, todos estarão protegidos e todos terão destaque coletivamente.

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