Após exatos dois anos, sete meses e 27 dias fechado, desperta hoje o maior gigante do futebol mineiro. O Estádio Governador Magalhães Pinto, mais conhecido como Mineirão, volta a abrigar um jogo de futebol pela primeira vez após seu sono de beleza, embalado por máquinas e operários que remodelaram completamente seu entorno e modernizaram seu interior. Do antigo templo máximo do ludopédio das Minas Gerais, a fachada imponente, recortando o céu quase sempre azul sobre a Lagoa da Pampulha, foi mantida por ser tombada pelo Conselho de Patrimônio Histórico de Belo Horizonte, servindo para que seus frequentadores fiéis não o tomem por uma dessas construções sem alma.
Modernizado e ganhando outro nome, Arena Minas, o estádio agora ganhou cadeiras de última geração para todos os frequentadores de suas arquibancadas. No total, 63.936 pessoas - 24.694 na parte inferior e 39.242 na superior - podem agora fazer coro para aplaudir seu craque ou vaiar o perna de pau, fazendo novamente pulsar o caldeirão. Quem quiser um pouco mais de conforto na hora de comemorar vitórias ou lamentar derrotas no Gigante da Pampulha pode viver suas emoções em um dos 98 camarotes com 2.024 assentos. Novos vestiários, gramado, cabines para a imprensa e cobertura, além da construção de uma esplanada no entorno do local, também fizeram parte do pacote de R$ 660 milhões que transformou o Mineirão em uma dos mais modernas arenas brasileiras, preparando-o para a Copa das Confederações, este ano, e a Copa do Mundo de 2014.
Mas nem a mais profunda reforma é capaz ou tem a intenção de apagar as inúmeras memórias construídas no Magalhães Pinto. Ao entrarem no reformado estádio, certamente torcedores mais antigos se lembrarão da inauguração, no dia 5 de setembro de 1965. Os alvinegros terão na memória os gols do maior artilheiro do local, Reinaldo, que balançou as redes do Gigante 152 vezes com a camisa do Atlético-MG. A metade azul há de lembrar que, nos primeiros 11 anos de existência da arena, sua equipe venceu nove campeonatos mineiros. Deve ter até quem recorde, como se fosse ontem, de todos os 20 jogos da Seleção Brasileira. Também aqueles que estiveram lá não para ver um jogo, mas assistir a um show, participar de um encontro religioso ou fazer uma prova, e se lembrarão também.
Palco maior do futebol de Minas, o Magalhães Pinto também foi local de acontecimentos marcantes da vida de muitos juiz-foranos. Fatos que ficaram impressos para sempre na história do esporte local e mineiro, como a criação do apelido "Fantasma do Mineirão" para o Carijó, lembranças de jogadores e torcedores em cumprir seu papel no estádio emblemático ou mesmo memórias de quem saiu da a Princesa de Minas e foi à capital do estado para ajudar transformar aquela praça esportiva em um verdadeiro pedaço da Bahia. Diferentes momentos da relação entre o Mineirão e as pessoas que participam de sua trajetória, tendo a certeza de que o Gigante da Pampulha é o local perfeito para viver e despertar emoções.



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