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26 de Janeiro de 2014 - 07:00

Projeto social da ONG Viva Rio, com profissionais juiz-foranos, oferece a jovens haitianos a oportunidade de uma nova vida

Por PEDRO BRASIL Repórter

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Jogadores do Haiti fizeram um amistoso contra o time do Sport na semana passada
Jogadores do Haiti fizeram um amistoso contra o time do Sport na semana passada

O Haiti é um pequeno país da América Central que, no dia 12 de janeiro de 2010, foi devastado por um terremoto. O abalo sísmico levou mais de 300 mil vidas, destroçou famílias e tirou perspectivas de jovens do país mais pobre das Américas. Mas o projeto "Pérolas Negras", da organização não governamental brasileira Viva Rio, pretende mudar esse jogo. Desde 2011, a Academia de Futebol Pérolas Negras oferece hospedagem, estadia, treinamento esportivo e escola a 60 jovens que vivem em situação de risco no Haiti. O objetivo é, por meio do futebol, resgatar a autoestima e oferecer chances de ascensão social aos garotos. Uma equipe de cinco egressos do Programa de Pós-Graduação em Futebol da Universidade Federal de Viçosa (UFV) coordena o projeto.

A equipe de futebol dos Pérolas Negras chegou a Juiz de Fora no dia 14 de janeiro e se hospedou no alojamento do Sport Club Juiz de Fora, onde foi iniciada a preparação para uma sequência de jogos no Brasil. No último dia 18, o time sub-17 venceu, por 1 a 0, a equipe juvenil do Verdão. Durante a última semana, os Pérolas Negras ficaram em Cataguases, onde disputaram a ABS Cup, que reúne times de Minas Gerais e do Rio de Janeiro, nas categorias sub-15 e sub-17, e que teve os haitianos como convidados. Hoje eles retornam ao Sport Club para mais uma semana de treinamento.

O principal jogo dos Pérolas no Brasil será contra a seleção da Taça das Favelas, torneio com garotos das comunidades do Rio de Janeiro, organizado pela Central Única das Favelas (Cufa). A partida está marcada para o dia 8 de fevereiro, às 9h30, no Estádio Aniceto Moscoso, na Zona Norte do Rio. Em 2013, os Pérolas Negras ficaram com o vice-campeonato da Copa Noruega, torneio composto por 208 equipes do mundo inteiro.

 

Sotaque mineiro

"A Vivo Rio já tinha um projeto social no país desde 2004. Após o terremoto foi feita uma parceria entre a UFV - onde nós fazíamos pós graduação em futebol - e a Federação Haitiana de Futebol, que não tinha condições de participar das eliminatórias (para a Copa de 2010). A ideia era trazer a seleção masculina e feminina para o Brasil e, com isso, tentar a vaga na Copa", conta o preparador de goleiros da equipe, Luiz Carlos Laudiosa, que é o mais antigo brasileiro do Pérolas.

Apesar de não conseguir a vaga para a África do Sul, após o Mundial, houve o convite da Viva Rio para a construção da Academia de Futebol dos Pérolas Negras, voltada para a formação de atletas. "Em março de 2011, começamos a selecionar os garotos nas favelas e, em julho, iniciamos o projeto com os meninos ficando conosco de segunda a sábado", detalha Laudiosa.

Além dele, hoje a equipe é formada pelo técnico Rafael Novaes, pelo fisioterapeuta Rafael Guiduci e pela nutricionista Gisele Bueno, todos de Juiz de Fora. Fecha o quinteto o preparador físico, Hébert Soares, de Rio Pomba. "É muito gratificante ter essa oportunidade de crescimento pessoal e profissional. Muitos não têm família, e nós acabamos formando a família deles, já que eles ficam conosco seis dias na semana. É a grande oportunidade de melhora de vida para a maioria dos meninos", acredita Novaes.

 

Superação

Com as vidas marcadas pelas dificuldades, os garotos têm no futebol razão para sorrir. O sonho maior é conseguir dar a volta por cima pela bola. "O futebol é tudo para mim. Não tenho pai nem mãe, e é por meio do futebol que eu quero ter um futuro melhor", conta o jovem lateral-esquerdo Ejienne Romany, fã de Neymar.

Mas, por pouco, Romany não consegue fazer sua visita ao país do futebol. "Ele não tem documentos, e trabalhamos durante três meses para trazê-lo ao Brasil. Conseguimos, aos 45 minutos do segundo tempo, um tutor legal para ele e fizemos o embarque", revela Novaes, que, além de técnico, é o coordenador-geral da equipe.

O volante Etienne Richelin, capitão da equipe, enxerga a visita como uma grande oportunidade. "Eu já fui aos Estados Unidos, República Dominicana e Panamá. É uma chance de me destacar e conseguir visibilidade no país do futebol". Michael Lajorie, de apenas 16 anos, espera que, com o futebol, possa dar melhores condições aos familiares. "Minha família não tem muito dinheiro, e meu sonho é poder ajudar", afirma o atleta, que já teve passagens pelo Botafogo e pelo clube-empresa Olé Brasil.

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