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23 de Março de 2014 - 06:00

Trabalhando com o treinador Daniel Ramos Neves, mesatenista juiz-forano projeta classificação para os Jogos do Rio 2016

Por WALLACE MATTOS

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Alexandre Ank quer  pontuar para garantir boa classificação no ranking
Alexandre Ank quer pontuar para garantir boa classificação no ranking
Neves vem a Juiz de Fora uma vez por semana para trabalhar com Ank
Neves vem a Juiz de Fora uma vez por semana para trabalhar com Ank

Perseguindo o sonho de jogar mais uma Paralimpíada, o mesatenista juiz-forano Alexandre Ank, 34 anos, está em ação na abertura de sua temporada na disputa da Copa Brasil de Tênis de Mesa, este fim de semana, em Manaus, capital do Amazonas. O atleta da Associação Atlética do Banco do Brasil (AABB), apoiado pela Federação Nacional da Cultura (Fenac), que representou o Brasil nos Jogos de Pequim 2008 na classe 4, esteve em pré-temporada nos meses iniciais de 2014 e quer usar o ano para se consolidar e embalar para garantir, na temporada 2015, um lugar entre os representantes do país no Rio 2016.

Segundo Ank, o começo de temporada é sempre uma incógnita, mas é bom ir bem desde o início do ano para se estabelecer como um dos melhores do país e permanecer em dia com o jogo em alto nível. "Primeira competição do ano, essa de Manaus é um torneio de avaliação, de estudo mesmo. Estou ganhando ritmo, vendo como estão os adversários. Mas, claro, sempre em busca de vencer. O importante é abrir o ranking nacional pontuando bem. Quero repetir o ano de 2011, quando fechei a temporada como número 1 do Brasil e melhor colocado no ranking internacional também", projeta Alexandre.

Para buscar a vaga na Paralimpíada, Ank mudou um ponto crucial de seu modo de preparação. Habituado a treinar sozinho nos últimos anos, desta vez o atleta local costurou uma parceria com o técnico petropolitano Daniel Ramos Neves, 36, atual comandante da Seleção Carioca de Tênis de Mesa e com passagem pela Seleção Brasileira em seus mais de 20 anos de experiência com as raquetes e bolinhas. Segundo o mesatenista, a parceria foi motivada pelo bom trabalho realizado pelo treinador. "Ouço falar do Daniel há alguns anos. Acompanhei a evolução das equipes que ele treina e, no ano passado, me aproximei dele, conversamos, e disse que buscava um técnico para fazer um planejamento e jogar as Paralimpíadas do Brasil. Ele topou, e começamos a traçar os planos", conta o juiz-forano.

Neves se diz privilegiado por trabalhar com Ank. "Conversamos sobre essa parceria na Copa Brasil, em Vitória, no fim do ano passado. Como Juiz de Fora e Petrópolis são próximas, me coloquei à disposição. É um privilégio trabalhar com um atleta do nível dele. Até hoje vinha trabalhando sempre com mesatenistas olímpicos. O paralímpico, de certa forma, para mim é um novidade, embora tenha o curso de técnico da Federação Internacional nesta modalidade. Penso que esse trabalho com o Alexandre é uma oportunidade para nós dois. É um mesatenista que tem um potencial incrível, e quero fazer um bom trabalho para ajudá-lo a conquistar seus objetivos."

Do lado de cá e do lado de lá

O treinador esteve em Juiz de Fora pela primeira vez no último dia 12 para orientar o treino de Ank. Durante o trabalho, muito diálogo para acertar detalhes como a batida do juiz-forano na bolinha, o ângulo desejado pelo técnico e bastante repetições de devoluções de golpes na mesa montada no Ginásio da AABB. Alexandre executou tudo sob o olhar atento de Daniel e de uma câmera digital, acionada frequentemente para filmar cada raquetada do juiz-forano. O vídeo produzido será avaliado por ambos em busca de detalhes a serem aperfeiçoados ou mantidos na técnica do local.

De acordo com Neves, a primeira fase de treinos será de conhecimento mútuo. Para isso acontecer, a quantidade de batidas na bolinha será grande, prevê o treinador. "Nesse início, vamos afinar o entendimento entre nós, o entrosamento dos dois. Vamos nos conhecendo. Primeiro, será feito um trabalho com muito volume e menos intensidade até para acharmos os pontos a serem melhorados e ir encaixando os treinos e nos adaptando um ao outro. Mas, pela qualidade dele, vai ser supertranquilo", projeta.

Além dos treinos na AABB local, o treinador programou idas de Ank a Petrópolis e ao Rio de Janeiro. Sem a presença constante do técnico, a sintonia entre ele e o atleta juiz-forano tem que ser grande. "Como não estarei aqui todos os dias - programamos um treino em Juiz de Fora por semana -, a gente vai montar uma planilha para que ele desenvolva durante a semana. Também quero marcar treinos em Petrópolis e no Rio de Janeiro, onde tenho atletas campeões brasileiros e de nível olímpico que podem ajudá-lo nesse desenvolvimento", planeja Neves.

Ano de crescimento

Pensando na temporada como um todo, Ank tem pela frente desafios no Brasil e no exterior, em busca de evoluir seu jogo e se preparar para o ano da classificação para a Paralimpíada. "Quero um 2014 crescente, constante, ganhado as competições e superando as adversidades. Pretendo continuar evoluindo tecnicamente para, ao final do ano, atingir uma evolução técnica e tática de uns 70% a 80%. Desta maneira, acredito que me firmarei no ranking nacional e internacional, do qual pretendo disputar duas etapas pelo menos, para na próxima temporada conquistar a vaga nos Jogos do Rio", deseja.

No caminho da vaga paralímpica, a principal dificuldade de Ank é conhecida: a falta de patrocínio. Segundo o atleta, as perspectivas melhoraram, mas a luta para conseguir financiamento para disputar as grandes competições é dura. "Ano passado, contei principalmente com a Bolsa Atleta (Alexandre recebe R$ 1.850 do Governo federal como atleta internacional) e a AABB. Também tive apoio efetivo da Secretaria de Esporte e Lazer (SEL). Mas ainda não é o suficiente. Trabalho com um terço do orçamento ideal para disputar uma temporada cheia, que seria de R$ 60 mil, tendo que custear material de treinamento, viagens, salário do treinador e sobreviver com esposa e filho. O ideal é conseguir um patrocínio real que bancasse os custos. Venho tentando junto a algumas empresas, mas não estou sendo feliz. Não há interesse, não sei se é pela modalidade ou por se tratar de ser um esporte paralímpico. Por outro lado, meus resultados falam por si só. Já me classifiquei para uma Paralimpíada antes e fui medalha de ouro e bronze no Parapan de 2007. Quero repetir o feito e me classificar para a Paralimpíada do Brasil para buscar medalha dentro de casa, com o calor da torcida. Não desisto", garante.

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