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01 de Fevereiro de 2013 - 07:00

Por PEDRO BRASIL

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Não matem o futebol

Na última quarta assistimos pela TV a uma cena trágica, mas que pode servir de reflexão. Vários torcedores do Grêmio caíram no fosso após a comemoração do gol de Elano, na partida que marcou a estreia oficial da nova Arena, bonita, moderna, tecnológica, com gramado ruim e sem alambrado confiável.

Ontem, o Corpo de Bombeiros pediu o fim da avalanche. Vou repetir. Os Bombeiros pediram o fim da comemoração da torcida. É o cúmulo. O futebol é manifestação de cultura e expressão popular. Mais do que isso, é uma forma de identificação. A avalanche é o símbolo da torcida do Grêmio. É a identidade tricolor nas arquibancadas.

É obvio que não desejo mais acidentes. As tragédias esportivas, como a do Maracanã na final do Brasileiro de 1992, e na Fonte Nova, em 2007, ainda assombram. Mas um estádio que acabou de ser inaugurado e manteve a geral justamente por saber da importância da força que emana de lá não poderia ter problemas na estrutura. Não é culpa da torcida do Grêmio. O incompetente é o engenheiro que não mediu a força da "avalanche". Ele tem que ser punido. Não a torcida.

As "modernizações" estão matando o futebol. A maioria das novas "arenas" não tem "geral" e cobram um ingresso absurdamente alto pelos jogos. As comemorações fanfarronas dos atletas acabaram. Fez gracinha, leva cartão. Fez gol e pulou no alambrado? Amarelo nele. Qual torcedor do Rio, num domingão de sol, vai animar pagar R$ 60 no Engenhão para ver Flamengo x Quissamã? Sem direito a cervejinha e ficando longe do campo?

Torcida canta, faz protesto, vaia, xinga, aplaude e chora. Faz parte do espetáculo. Futebol é coisa do (e para o) povo. É por isso que eu imploro: não matem o futebol.

Renato Salles volta a escrever neste espaço na semana que vem

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