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27 de Dezembro de 2013 - 07:00

Por RENATO SALLES

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Mulher de malandro

Toda a confusão surgida no final do Brasileirão deixou muita gente incrédula do futebol. Independente dos méritos jurídicos - ou não - de um ou de outro, a temida virada de mesa ronda o imaginário do torcedor. Com a pulga atrás da orelha, vários dizem que jamais voltarão a ver o jogo com os mesmo olhos. Alguns afirmam que irão dedicar as tardes de domingo a outros hobbies. Particularmente, não faço tal tipo de promessa. A coisa está em nosso sangue. Intrínseca. A revolta momentânea parece mais um rompante, que perdurará a eternidade da pré-temporada. Quando a bola rolar estarão todos loucos, à frente da televisão. Roucos, na arquibancada.

A verdade é que quem gosta de esporte é meio mulher de malandro. Se uma surra homérica do rival não faz ninguém deixar de lado o orgulho de vestir a camisa do clube do coração, não serão as patacoadas da cartolagem e dos adeptos da Lei de Gérson que irão apagar a chama. Mais do que querer levar vantagem em tudo, o brasileiro quer ver seu time jogar. Mais que circo, o grito de campeão é o pão que alimenta a tal pátria de chuteiras. Corrompido ou não, o futebol é nosso carnaval de 365 dias.

E não é só no futebol que a paixão cega nos faz rebanho de um negócio cada vez mais endinheirado e nebuloso. Quando o Anderson Silva dançou Macarena, menosprezou o adversário e levou um coice de mula na lata, muitos falaram que o UFC é marmelada. "Nunca mais assisto a isso", disseram. Seis meses depois, estão todos ansiosos por ver a revanche contra o Weidman amanhã. Os fãs do esporte são como Rocky Balboa: falam em desistir, mas não se cansam de apanhar. Aliás, que horas é a luta mesmo?

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