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24 de Janeiro de 2014 - 07:00

Por RENATO SALLES

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Virando a lata

Quem gosta de futebol é fã de Nelson Rodrigues. Isso é batata! Dramaturgo, jornalista e escritor, ele foi autor de frases que rondam o imaginário do torcedor. É de Nelson a tese de que o brasileiro sofre de complexo de vira-lata. "Por 'complexo de vira-latas' entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo." Como sempre, existe muita verdade no exagero do Anjo Pornográfico.

Vejamos o momento vivido no Brasileirão. As trapalhadas protagonizadas pelas escalações irregulares de Héverton e André Santos trouxeram de volta toda incerteza e falta de credibilidade que sempre rondou o futebol nacional. "Zona" é a palavra mais utilizada para definir CBF, STJD e a cartolada de maneira geral. Realmente, não existe adjetivo popular melhor para classificar o inclassificável. Em situações de crise, o incensado futebol europeu sempre aparece como modelo a ser seguido.

É fato que precisamos melhorar muita coisa no futebol brasileiro. Não podemos conviver com tantos picaretas movimentando bilhões e brincando com a paixão do torcedor. Todavia, é importante por fim à citada síndrome de vira-lata e acabar com essa ilusão de que a Europa é um oásis de retidão. A grama do vizinho é tão podre quanto a nossa. A renúncia do presidente do Barcelona é mais um caso. O futebol europeu convive com escândalos de armação de resultados e flerta com pseudomafiosos desde sempre.

Para progredirmos, precisamos olhar para o umbigo na busca por soluções adequadas à nossa realidade. Mimetizar o modelo da Europa é engodo. Os erros daqui são os equívocos de lá. E vice-versa. Apesar de toda patifaria, emociona-me mais um embate meia boca de nossos falidos estaduais que um clássico europeu recheado de estrelas. Que futebol inexiste sem emoção é o tal óbvio ululante.

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