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14 de Março de 2014 - 06:00

Por RENATO SALLES

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Rabugices

João Roberto sempre reclamou do futebol na cidade. Diz que Juiz de Fora merecia desfrutar de uma posição melhor no cenário esportivo nacional. Para ele, o Tupi deveria estar, no mínimo, na Segundona do Brasileirão. "Veja o Boa Esporte, por exemplo!". Em sua alça de mira, detona o empresariado - "não dá apoio" -, a diretoria - "incompetentes" - e até a mídia - "não incentiva". Entre lamúrias, João se enche de razão. Aposta nos resmungos para vencer suas frustrações.

Sempre lamentando, ele não vai mais ao Municipal. "O ingresso tá caro." Mas, não é só por R$ 20, já que gasta seu troco assistindo à rodada do Cariocão no botequim da esquina. Entre um rabo de galo e outro, liga para Augusto para saber "quanto tá o Galo?". Independente do placar, João lamenta. Se está ganhando, diz que é sorte. Se está empatando, diz que é chato. Se está perdendo, vangloria-se: "por isso que eu não vou mais".

A sempre solícita informação de Augusto é seguida por um ritual. João pede mais uma cerveja e repete a ladainha contra cidade, empresariado, diretoria e imprensa. A coisa só muda quando fica ligeiramente bêbado. Feliz em seus lamentos, pragueja os "joões robertos" que não saem de casa para apoiar o esporte juiz-forano. Nessa hora, admite que também tem uma parcela de culpa e promete que domingo será diferente. Depois ri sozinho, antes de retomar o ciclo de rabugices.

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