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16 de Maio de 2014 - 06:00

Por RENATO SALLES

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A coisa 'tá' feia

Recorrentemente, venho batendo na tecla de que o futebol brasileiro vive um inferno astral. A atual geração de jovens atletas - e mesmo os poucos veteranos que restam - é muito fraca. Sem dúvidas a de pior nível técnico que acompanhei em pouco mais de trinta anos de vida. A pobreza técnica é fácil de constatar. Basta assistir a uma partida do campeonato nacional ou fazer uma análise mais detalhada da Seleção convocada por Felipão. Apesar de bons jogadores, nomes como Jô, Bernard, Oscar sequer seriam cogitados para vestir a amarelinha há alguns anos atrás, quando talentos como Marcelinho, Edmundo, Djalminha e tantos outros lutavam, e muito, para conseguir uma vaguinha que, em muito casos, não apareceram. Nesta quarta-feira, caiu o último bastião do bom futebol no país da Copa. O Cruzeiro, que nadou de braçadas na última edição da Séria A, sucumbiu de forma justa e melancólica nas quartas de final da Libertadores 2014.

Imaginar que a melhor equipe brasileira do momento - a Raposa, disparada - não tem forças para chegar às semifinais do torneio continental é a admissão que a coisa anda mesmo feia no País do Futebol. Reconhecer que não temos representantes nacionais entre os quatro melhores de um torneio que reúne times de países onde o investimento no esporte não chega aos pés do que observamos por aqui me faz pensar que devemos repensar nosso futebol. O erro vem da formação. Hoje, temos uma seleção de bons volantes, mas nenhum camisa 10 autêntico. Os craques do meio-campo por aqui são estrangeiros, como Conca ou Valdívia, por exemplo.

A sensação que tenho é de que, hoje em dia, os dirigentes que comandam as bases das agremiações brasileiras estão mais preocupados em lapidar um "produto de exportação" - cabeças de área que sabem sair jogando, mas acima de tudo destruir -, do que formar jogadores com as características típicas do nosso futebol.

Não fosse a paixão quase cega do brasileiro, pensaria que nosso futebol estava fadado a um fim triste, como as rodadas do Brasileirão de péssimo nível que se sucedem a cada final de semana. Por ora, nos resta torcer, mas isso parece ficar cada vez mais difícil.

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