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23 de Maio de 2014 - 06:00

Por RENATO SALLES

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Faltam três semanas para a Copa. Em um passado já não tão recente, em minha infância, estaria com as unhas roídas à espera do grande momento. O esporte era o mais importante, mesmo que o Mundial fosse jogado lá no México, na Itália, ou logo ali, na África do Sul. Lembro-me como se fosse ontem de amarrar uma linha em um poste e ir para o outro lado da rua para armar uma espécie de "pedágio". Cada carro que passava, era extorquido. Tinha que deixar umas moedas para que a molecada comprasse latas de tinta e bandeirinhas para enfeitar a rua. A espera pela competição era mais doce que a Copa, com o sabor de uma possível conquista do selecionado nacional e de Ping Pong, que era de onde tirávamos as figurinhas dos álbuns dos anos 1980.

Por mais que alguns cabelos brancos insistam em crescer no lado esquerdo da cabeça, os sentimentos de criança seguem eternizados em minha memória. Eu gosto de Copa. Não tolero a Fifa ou a corrupção de nosso país, mas gosto de Copa. Queria ter a oportunidade de enfeitar uma vez mais as ruas e de mastigar dez chicletes ao mesmo tempo - até o maxilar ficar doendo - em busca da figurinha carimbada. Afinal, eu gosto de Copa. Entretanto, se tivesse uma nova chance de pintar o asfalto remendado da velha Rua Ouro Preto, lá em Santa Terezinha, daria uma maior atenção ao desenhar a bandeira nacional, fazendo do "Ordem e Progresso" um manifesto contra os desmandos vistos no país de forma geral - não só por aqueles que organizam o torneio. É que eu gosto de Copa, mas não gosto de ser feito de bobo.

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