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18 de Julho de 2014 - 06:00

Por RENATO SALLES

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Era por volta de 18h23. Pela terceira vez, o telefone piscava: "Número Confidencial". Detesto esse tipo de ligação. Se o sujeito quer ficar oculto, sem se identificar, é merecedor do verbo ignorar. Resolvi atender. Talvez pela insistência. Ou por ter um coração bom mesmo. Do outro lado, uma voz soturna indagou: "É o Renato?" "É o celular dele", disse, sem paciência. O gaiato insistiu: "É o Renato Salles?" A resposta veio na forma de um monossilábico "é". Confirmado o óbvio, o fulano tentou desfazer o suspense. "Aqui é o Almeida. Falo em nome da CBF." Não segurei o sorriso sarcástico. "Tem certeza que não fala em nome do Sérgio Mallandro? Rá!". Sem achar graça, reforçou. "Falo em nome da CBF!".

A sisudez dele me deixou acuado. "Ok, Almeida! O que você manda?" Ele foi direto. "Você criticou o Felipão nos últimos anos. Acha que é esperto. Agora, queremos ver. Aceita ser técnico da Seleção?" Vaticinei: "Chama o Sérgio Mallandro!" Porém o Almeida era um sedutor. Falou em cifras inimagináveis. Seis dígitos por mês. "Seu nome foi aprovado por nosso coordenador, o Gilmar Rinaldi." Balancei. "O Gilmar? Mas ele não é empresário? Vou ter que convocar os atletas que ele indicar?" Almeida repetiu: "Seis dígitos. Mais bônus por vitória." "Ok", rebati, engolindo o caráter. "Ok?" "Ok!" Uma gargalhada de bruxa veio do outro lado. "É pegadinha, ô marmota!". Respirei aliviado. "Ufa! Então o Gilmar não vai ser mais o coordenador? Onde eu assino?"

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