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11 de Julho de 2014 - 08:15

Por RENATO SALLES

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É incrível como a nossa mente nos prega peças quando estamos lidando com algo pelo qual somos verdadeiramente apaixonados. Como o futebol, por exemplo, que nos deixa loucos de ansiedade nos momentos que antecedem a um jogo importante; cegos de euforia durante a partida; e indescritivelmente felizes ou mortalmente tristes após o apito final do árbitro. Assim, desde o vexame maior da Seleção Brasileira na última terça-feira, vivo um paradoxo. De forma incessante, experimento todas as matizes de sentimentos descritas linhas acima. A sensação é a de que estou preso naqueles eternos seis minutos de massacre alemão. Mais acuado que o time de Felipão, vivo encurralado em um looping de gols de Klose, de Kroos e de Khedira. E de Klose. E de Kroos. E de Khedira.

Mas o engraçado é que nossa mente nos prega peças quando estamos lidando com algo pelo qual somos verdadeiramente apaixonados. No começo, a visualização mental repetida e repetitiva da maior humilhação que o futebol nacional já viveu foi como a pior das torturas. Todavia, a cada chicotada - ou gol - o couro fica mais curtido. Com o tempo, você tolera a dor. Começa a compreendê-la. Desafiá-la. É exatamente isso que tenho feito desde os 29 minutos do primeiro tempo daquela semifinal, quando os seis minutos se encerraram de fato e passaram a dominar meu imaginário como um disco arranhado. A cada novo ciclo de gols de Klose, de Kroos e de Khedira que se repete em minha cabeça, morro e renasço.

Após três dias, sou capaz de dizer que esses minutos fatais não são tão ruins. Como acontece no momento da morte de verdade, a cada novo looping tortuoso, passa à frente dos meus olhos tudo que vivi durante esse Mundial. Bem melhor que um gol de Klose que me tortura, foi vibrar - dentro de campo - com cinco gols brasileiros. Bem melhor que dois gols de Kroos que me torturam, foi vivenciar o clima de que todas as nações são iguais até que a bola role. Bem melhor que um gol de Khedira que me tortura, é ter a lembrança de que pude viver para valer essa Copa tão fantástica. É fato que a derrota não sairá nunca de minha mente. Será sempre uma dor incômoda que virá acompanhada de todas as emoções humanas. Porém, restarão mais lembranças boas do que ruins. Ao menos, até que recomece o looping de gols de Klose, de Kroos e de Khedira. E de Klose. E de Kroos. E de Khedira.

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