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06 de Abril de 2014 - 06:00

Por NATHANI PAIVA

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Ciclistas, como Marcus Tristão, fazem manobras na Praça Antônio Carlos
Ciclistas, como Marcus Tristão, fazem manobras na Praça Antônio Carlos

Por volta das 19h de quinta-feira, na Praça Antônio Carlos, mesmo com o tempo chuvoso, sete jovens já se preparavam para começar a treinar algumas manobras de BMX freestyle - modalidade esportiva praticada com diversos modelos de bicicletas e subdividida em vários estilos, como flatland, park, street, vert e dirt jumping. O encontro, que acontece pelo menos quatro vezes por mês, foi marcado pelo Facebook. A pista, que não é específica para o esporte, serve para eles saltarem com suas bikes e derrotarem a gravidade.

Alguns desses jovens sonham em se tornar atletas profissionais, outros já estão caminhando para isso. Em 2000, Waldeí Fernando Moreira, 28 anos, se apaixonou pelo BMX street e depois seguiu para o flatland. Atualmente, ele trabalha como motorista, mas não deixa de se preparar para as competições. No ano passado, disputou o primeiro campeonato de nível nacional em Itapevi, interior de São Paulo: o Overground Flatland. Na ocasião, conquistou o sexto lugar. "Sempre escuto alguém falando que sou um cara grande andando em uma bicicleta de criança, mas para mim o BMX é mais que um esporte. Agora, estou treinando para representar Juiz de Fora no Campeonato Brasileiro de Flatland, que acontece no dia 12 de abril, em São Paulo."

Por não terem uma pista adequada para treinar suas modalidades, o grupo apela para as pistas de skates espalhadas pela cidade. "Nossos encontros são, geralmente, na UFJF, no Bairro Jardim Esperança e na Praça Antônio Carlos. Sempre comentamos que gostaríamos de uma rampa específica, para conseguirmos aprimorar nossos saltos e manobras", diz Waldeí.

Recém-chegado ao BMX, o estudante José Carlos da Silva Júnior, o Junin, 16, conta que os bikers organizaram um campeonato no ano passado, com 12 pessoas, em uma pista no Jardim Esperança. "Cada um estava com sua bike, dividimos as modalidades do BMX e começamos a andar. Esses encontros que fazemos são muito bons, porque é uma forma de dividir experiências." Junin foi influenciado a entrar nesse meio pelo amigo Kevin Aredes, 18. "A amizade que fazemos nesse ciclo vale a muito a pena. Além de tudo, nos inspiramos uns nos outros", diz Kevin.

 

Treta?

Há 10 anos o BMX é o principal hobby do técnico em mecânica Maurício Carmona, 28. Mesmo com tanta experiência, ele conta que nunca almejou se tornar um atleta profissional. "Essa é a minha distração. Adoro estar aqui com a galera. É um esporte que estreita laços e contribui para novas amizades". Em relação aos lugares que treinam, Maurício acredita que falta um pouco da compreensão dos skatistas. "Alguns acham que as pistas são só deles. Mas isso são pequenas coisas que não estragam os nossos encontros."

 

 

Saudades das pistas

Durante manobras e conversas foi possível perceber que o BMX street é a preferência dos jovens que praticam o freestyle em Juiz de Fora. Entretanto, o BMX racing, a modalidade de corrida do bicicross e que faz parte do programa dos Jogos Olímpicos, também foi lembrado. "Tudo que envolve bicicleta, eu amo. Se tivesse mais oportunidades na cidade, com certeza, eu estaria praticando", diz Waldeí.

O empresário e atleta Alex Bagal, 39, ressalta que o bicicross é a base para as outras modalidades do ciclismo. "Comecei quando eu tinha 7 anos, em Brasília. Em Juiz de Fora, participei de campeonatos regionais nos anos 1980. O treino acontecia nas pistas do Parque da Lajinha e na Rua São Mateus", lembra o ciclista, que construiu uma sólida carreira no mountain bike e no downhill. "Foram muitos anos no bicicross. É um esporte forte, que requer muita força do atleta. Mas sempre digo que o considero uma escola".

O piloto de motocross Guto Lima, 47, também iniciou sua carreira praticando bicicross nos terrenos baldios na cidade. Ele relata que esse esporte teve seu boom em Juiz de Fora na década de 1970. "Antes era uma modalidade radical, agora se tornou olímpica. Competi algumas vezes em torneios regionais. Atualmente, o bicicross me ajuda na preparação física para minhas provas. Além disso, me traz habilidade e reflexo."

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