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27 de Maio de 2014 - 06:00

Por WALLACE MATTOS

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Caros e caras, a Seleção Brasileira se apresentou ontem e já podemos sentir o ambiente da Copa do Mundo esquentando no Brasil a cada dia que passa. E ontem esquentou mesmo, já que os jogadores e a delegação canarinho tiveram que enfrentar um protesto logo em sua saída do aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, rumo a Teresópolis, na serra fluminense. Na chegada à Granja Comary, o escrete nacional se deparou com outra situação. Várias pessoas trajadas de verde e amarelo, bandeiras e adornos nas cores nacionais, manifestando apoio ao time de Felipão, formaram o corredor a poucos metros da entrada do local de concentração dos postulantes ao hexa.

Esse deve ser mesmo o clima da Copa em nossas bandas. O país ainda está fervendo com greves manifestações populares que devem ganhar mais vulto com a proximidade do Mundial. Muitas buscam diretos legítimos relegados por décadas a segundo plano por governantes que querem mais engordar seus bolsos e menos cuidar direto de quem os colocou no poder, mas outras são simplesmente para tumultuar mesmo e quase todas descambam para o vandalismo despropositado que não é direito e nem ajuda ninguém.

Apoio os movimentos por mudanças mais concretas em nossa sociedade - prometidas para apaziguar os ânimos em 2013, mas que não foram colocadas em prática até agora - e até mesmo confesso que concordo com a visão de que sem confronto as transformações não acontecerão. Mas é preciso separar as coisas, e não deixar um bando descaracterizar e desqualificar pleitos legítimos.

Também é necessário dissociar política, crítica social e busca por dias melhores do evento Copa do Mundo. Ele pode ser visto como uma oportunidade de as reivindicações por uma vida mais digna no país serem colocadas em foco para todo o planeta, mas não deve ser confundido com a fonte dessas mazelas ou com brinquedo de quem as perpetua - embora esses tentem fazer propaganda em cima da competição e cabe a nós fazê-los falhar, mostrando a verdade, como as obras prometidas e inacabadas de infra-estrutura, por exemplo.

O Mundial é a festa do esporte mais popular do planeta, só isso tudo. Nossa Seleção não representa governo A, B ou C. Nem para o bem, nem para o mal. Torcer para o Brasil ser hexacampeão não é torcer para a situação de injustiça social e de pouco, ou quase nenhum, acesso a direitos fundamentais permanecer como sempre foi. Há espaço para as manifestações e reivindicações durante a Copa e é legítimo que se faça isso de forma inteligente. Mas há também espaço para campo, bola e torcida por mais um título canarinho. E gostar e querer curtir a Copa com tudo que ela tem de bom não desqualifica ninguém.

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