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08 de Julho de 2014 - 08:20

Por WALLACE MATTOS

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Caros e caras, vamos combinar que, em uma análise fria, nem com Neymar em dia de Pelé seria possível vencer a Alemanha. Com os dois times jogando o máximo, como se espera em uma Copa do Mundo, jogador por jogador, os alemães são melhores há bastante tempo. Tiraram lições do terceiro lugar em 2006, formaram uma base em 2010 e se prepararam para chegar à final deste ano. Tudo com o já conhecido e tradicional método germânico de organização, contando com uma geração de ótimos jogadores, sem nenhum craque excepcional, mas atletas na mais completa acepção da palavra, que mudam de posição do meio para a frente a todo momento e com habilidade para executar passes milimétricos e lutando pela bola a cada centímetro do campo.

Todo bem que o atropelamento no primeiro tempo, consumado com o resultado final, não era previsível, pois nunca se espera goleadas entre dois gigantes em tradição no futebol mundial, mas o placar foi construído com naturalidade. A Argélia já tinha dado o caminho das pedras. Para tentar ter alguma sorte contra essa máquina bem azeitada de Joachim Löw, os brasileiros teriam que marcar com dedicação plena e entrega total esse time perigosíssimo, buscando uma brecha em contra-ataques que não poderiam ser desperdiçados.

Não foi isso que se viu, e sim canarinhos perdidos depois do segundo gol e levando gols de fim de pelada de uma equipe cheia de alternativas. Aliás, coisa que o Brasil não teve nos jogos dessa Copa do Mundo. Era bola no Neymar e rezar por ele. Não deu. A reza pelo camisa 10 não foi suficiente. Ou foi? Pelo menos seu anjo da guarda o poupou de estar em campo em uma derrota acachapante como a de ontem.

Os alemães humilharam o Brasil em casa, fato, mas não dá para sentir raiva deles. Pelo bem do futebol, não é possível. Acima de tudo, a Alemanha é o time mais legal da Copa do Mundo, disparado. Começou sua campanha de conquista do país do futebol adotando as cores do clube mais popular no território nacional muito antes de aportar por aqui, escolheu um local paradisíaco, mas pobre, do Nordeste para se hospedar, fez questão de ter mão de obra local na construção e no funcionamento de seu centro de treinamentos.

Desde o momento que pisaram onde chegaram os portugueses, os germânicos distribuíram exemplos de simpatia dançando com índios, colocando camisas de times brasileiros, cantando hinos e gritos de torcida, postando hashtags em português em suas contas pessoais nas redes sociais, além de jogar bola para caramba. Tudo isso dá argumento para não haver ódio em relação ao povo que soltou aquela blitzkrieg para cima dos apáticos brasileiros. Mas agora, para a festa em Berlim ficar completa, só falta os jogadores adicionarem às lanças, arcos, fechas e berimbaus de sua bagagem o último souvenir que pode ser adquirido com seu futebol e simpatia: a Taça Fifa.

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