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15 de Julho de 2014 - 06:00

Por WALLACE MATTOS

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Repórter Wallace Mattos analisa o legado do Mundial
Repórter Wallace Mattos analisa o legado do Mundial

Caros e caras, com o fim da Copa, voltamos agora à nossa programação normal nos gramados Brasil afora. Confesso que vou sentir falta do Mundial não só pelos belos jogos entre seleções, craques em campo e golaços que foram muitos nessa edição, mas também pela enxurrada de gente que passa a prestar mais atenção no nosso trabalho, pergunta mais do que tudo sobre cada aspecto dos jogos e jogadores e por quem se meta a fazer esporte achando que é "fácil e qualquer um dá conta", cometendo gafes como as da coleguinha que, ao ver o monstro Robben na tela de seu monitor, cravou que o maior craque da Holanda era o Nederland, certamente levada ao erro por alguém que a orientou a olhar atrás de cada camisa o nome do atleta sobre seu número. Tadinha, não sabia que os holandeses utilizavam um uniforme específico para aquecimento apenas com o nome de seu país antes das partidas, né? Mas como fazer esporte é mole...

Depois do título da Alemanha, todos voltaremos à rotina, onde muitos se importam muito quando seu time perde, comemoram muito quando ele ganha, mas nem sempre, ou quase nunca, sabem por que ou como isso aconteceu. Isso do mais simplório dos torcedores ao mais alto dirigente. Então, o futebol é tratado na maioria das vezes como uma série de acasos desencadeada pelo destino. O que está longe de ser verdade. Como o jornalismo esportivo no dia a dia, metodologia, ciência e ações planejadas a longo prazo são deixados em segundo ou terceiro plano por quem torce - cego de paixão - e por quem comanda - cego pela ganância - o esporte nacional. Aí, de quatro em quatro anos, presta-se mais atenção nesse aspecto tão irrelevante da nossa vida, e quando não sai do jeito que gostaríamos com a nossa Seleção, bradamos ao quatro ventos blasfêmias de todo tipo para, logo em seguida, voltarmos ao normal após a Copa.

O título da Alemanha e, muito mais, a goleada aplicada no Brasil deveriam deixar lições. Até mesmo a chegada da Argentina na final. Ambos os times trabalharam anos com seus jogadores, cada um à sua maneira: os alemães com um método organizado para buscar talentos e "abrasileirar" seu futebol, e os argentinos fazendo essa geração crescer junta, desde os primeiros jogos das categorias de base, para atuar em torno de um fora de série. Já nós, aqui no país do futebol, não fazemos nada, nem perto dos metódicos campeões mundiais e nem perto dos bagunçados mas aguerridos vice-campeões. A CBF está mais interessada em ganhar dinheiro com seu principal produto - diga-se de passagem valendo hoje apenas pela marca e não pelo conteúdo -, do que cuidar do futuro do esporte no país. Então, cabe a nós, jornalistas esportivos, voltarmos à nossa profissão de fé, relatando para o torcedor jogos com estádios vazios, de pouca qualidade técnica e sem grandes jogadores ou mesmo revelações de encher os olhos, ao mesmo tempo em que lutamos à nossa maneira para transformar essa realidade.

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