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02 de Julho de 2014 - 06:00

Por JULIANA NETTO

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- Vamos rápido, minha filha. Não podemos nos atrasar. Hoje tem final de Copa do Mundo, dizia o pai durante um daqueles tradicionais passeios de bicicleta nas tardes de domingo.

- Vamos, pai. Vamos que o Brasil vai ser tetra, não é?

- Isso. Corre porque depois a Copa é só daqui a quatro anos.

- Como assim, pai? Quer dizer que depois do jogo de hoje, vamos ficar quatro anos sem ver uma partida de futebol?

1994. Sim, esse diálogo real entre pai e filha aconteceu em 17 de julho de1994, o ano das primeiras, e grandes, lembranças esportivas de uma "moleca" sempre tão apaixonada por futebol, vôlei, vôlei de praia, basquete, judô, natação, hipismo, ginástica, atletismo e qualquer outra modalidade que exiba a bandeira brasileira.

Tudo bem que antes das primeiras memórias da Copa de 94, há uma vaga lembrança de um tal Ayrton Senna do Brasil, que passeava com seu carro de Fórmula 1 pela tela da TV nas manhãs de domingo. Tudo bem que, meses antes da Copa, ela chorou pela perda daquele piloto que sequer teve tempo de explicar àquela jovenzinha o que ele representava para o esporte brasileiro e mundial.

1994. O ano de Romário, Bebeto, Branco, Dunga, Taffarel, Zinho, Leonardo. E por mais que este último não tenha sido um bom moço ao acertar uma cotovela no adversário, a pequena torcedora o absolvia, muito provavelmente por ainda não ter colocado a palavra maldade em seu dicionário. "Não, mãe. Ele não viu o outro jogador, aposto. Foi sem querer. Não fica triste com ele."

Dias depois, viriam a cobrança de falta de Branco, o gol ao embalo do bebê de Bebeto, o hino, que, segundo sua mãe, era o mais bonito do mundo, a decisão contra a Itália, o primeiro tempo sem gols, um retorno de intervalo amigável entre Taffarel e Pagliuca (sim, ela guardou essa imagem na memória), o tradicional "acabô" de Galvão e os gritos naquela sala toda bagunçada em função de uma reforma na casa.

Sem entender ao certo o que aquela conquista significava, a menina vivia ali a sua melhor Copa do Mundo.

Uma Copa mágica, pura, doce, inocente. Uma Copa das Copas, isso há 20 anos. Uma Copa tão importante para a formação cidadã daquela brasileirinha que cresceu, mas que, a cada quatro anos, ainda coloca aquele coração de criança para bater debaixo da camisa verde e amarela.

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