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29 de Junho de 2014 - 06:00

Por Mauro Morais

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Repórter Mauro Morais: pelas ruas durante o jogo
Repórter Mauro Morais: pelas ruas durante o jogo

Nunca fui muito afeito a esportes. Puro despeito por nunca ter me saído bem nas inúmeras tentativas escolares, momentos em que era sempre o último a ser escolhido. Em hora alguma acreditei que os livros repeliam as quadras e escolhi o exercício estático da leitura. Grande besteira! Confesso, porém, que essa Copa do Mundo, em especial, tem me sensibilizado, mas nada que me faça faltar a compromissos. Com o carro na oficina, acabei obrigado a sair de casa, ontem, no segundo tempo da prorrogação, para que conseguisse, de ônibus, percorrer o longo trajeto da Zona Norte ao Centro, chegando ao jornal às 16h. O Brasil parava para ver o aflitivo jogo contra o Chile, e quem andava não se continha. A cada pênalti o motorista estacionava, o cobrador se espremia na janela e assistia ao chute. Além de mim, estavam três passageiros, igualmente interessados na disputa decisiva. Quando Julio Cesar defendia ou os brasileiros acertavam, era uma festa ensurdecedora. Enquanto o motorista buzinava e acenava para as pessoas na rua, o cobrador batia na caixa de dinheiro, com as moedas todas a sacudir, como se comemorassem. Do lado de fora, vuvuzelas, cornetas e bandeirinhas. Do lado de dentro, até as cadeiras serviam de batuque, além dos muitos gritos ampliados no eco de um ônibus quase vazio. De um bar a outro tínhamos o prazo do jogador se posicionando. Com uma TV ligada em algum lugar e o apito prestes a ressoar, novamente o ônibus parava. Lembro do momento em que Hulk errou a mira e eu ainda estava longe de meu destino, ouvindo a fúria dos cinco ocupantes do coletivo. Depois da bola de Jara acertar a trave, desfilamos pela cidade ao som de buzinas e gritos nas janelas. Nós, não. Apenas eles festejaram. Perna-de-pau convicto, eu assistia a tudo completamente desconcertado. Apenas sorria, como a confirmar meu desejo pela vitória do Brasil. Nunca fui muito de me envolver com futebol, por isso não aprendi a vibrar. Por puro despeito de nem ter um time para o qual torcer, mantenho-me contido, mas não indiferente. Contudo, admito que é justamente essa energia, essa emoção, esse entusiasmo e esse calor que me encantam nesse campeonato. Ninguém está fora do ponto. E eu? Não, não cheguei atrasado. No próximo jogo me vestirei de verde e amarelo. Também andarei com uma vuvuzela para que, caso seja possível, integre alguma torcida.

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